Os de cá: Francisco Carreiro da Costa

A 6 de março de 1913 nascia, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, concelho de Lagoa, o ilustre e reconhecidíssimo Francisco Carreiro da Costa, filho de Germano da Costa, um dos principais comerciantes lagoenses da época, e de Maria da Estrela Carreiro da Costa.

Na sua terra natal, Lagoa, viveu a sua infância e fez instrução primária, tendo sido, em 1923, admitido no Liceu Central de Antero de Quental, em Ponta Delgada, onde concluiu, em 1932, o Curso Complementar de Letras.

Colaborando, desde muito jovem, no jornal Correio dos Açores e no Diário dos Açores, matriculou-se, em 1932, na Faculdade de Direito de Lisboa, onde não esteve por mais de dois anos, tendo-se transferido, posteriormente, para a Faculdade de Letras, onde se licenciou em Ciências Históricas e Filosóficas, no ano de 1940, defendendo uma tese sobre O descobrimento e o reconhecimento dos Açores.

Durante a sua vida universitária, colaborou nos jornais açorianos, especialmente no periódico lagoense A Semana, onde participava com crónicas que, a par de florescerem da vida lisboeta e de notícias de toda a parte do mundo, brotavam, também, diretamente, das lembranças saudosas dos costumes da sua terra.
Casando-se em 1938, na ermida de São José da Guia (Lagoa) com Alzira Martins Botelho Carreiro da Costa, regressa, em 1940, à ilha natal, onde desenvolve uma brilhante atividade jornalística, político-administrativa, científica, cultural e educativa em prol dos Açores, que se alastrou, com distinto mérito, às várias ilhas do arquipélago.

São inúmeros os cargos que desempenhou, tendo sido, sempre, um brilhante exemplo de cidadania ativa: por exemplo, em 1940, foi nomeado vogal da Comissão Administrativa que, até dezembro de 1941, geriu a Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada.

Com passagem pelo semanário A Ilha (Ponta Delgada) foi, de julho a novembro de 1941, diretor do diário Correio dos Açores (Ponta Delgada).

De janeiro de 1942 a novembro de 1943 retornou às lides de intervenção cívica, mas mais localmente, ocupando a presidência da Câmara Municipal de Lagoa, e trabalhando, também, inclusive, no importante trabalho de coordenação das notas póstumas do padre João José Tavares, publicadas em 1944, sendo que o livro resultante – A Vila da Lagoa e o Seu Concelho – é uma obra de referência para investigadores focados na Lagoa.

Participando na fundação do Instituto Cultural de Ponta Delgada, foi nomeado vice-presidente da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores. Foi, de facto, no Boletim da Comissão – onde, em 1945, assumiu as funções de editor e de redator principal – que os mais importantes trabalhos de Carreiro da Costa foram publicados.

Em maio de 1952, foi nomeado vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, exercendo este cargo até abril de 1955, tendo ocupado, durante mais de um ano, a presidência da mesa.

Para além da sua muito particular sensibilidade artística e cultural que desenvolveu e trabalhou durante toda a sua vida, bem como da bondosa, disponível, afável, simpática e conversadora personalidade ilustríssima, viu-se, durante toda a sua vida, envolvido numa multiplicidade estrondosa de iniciativas sociais, quer como membro fundador, quer como dirigente, sendo que, em 1973, em reconhecimento público pelos seus trabalhos de história e etnologia açoriana, foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

O lagoense Francisco Carreiro da Costa faleceu, vítima de uma hemorragia interna, na Clínica do Bom Jesus, em 1981, estando, para sempre, imortalizado num busto presente na praça de Nossa Senhora do Rosário, pertencente à sua freguesia natal.

De realçar igualmente que um dos núcleos da Escola Básica Integrada de Lagoa, situado em Nossa Senhora do Rosário, adotou o nome de EB1/JI Dr. Francisco Carreiro da Costa, também em sua memória e na tentativa de perpetuação do seu imortal legado político-administrativo, jornalístico, cultural, científico e educativo.

JTO
(Publicado na edição impressa de junho de 2017)

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