Editorial: A liberdade de imprensa

Perguntavam-me há dias, a propósito do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, que se assinala esta quarta-feira, dia 3 de maio, se realmente existe essa liberdade. Na realidade, trata-se de uma questão que merece alguma reflexão.

A liberdade existe, não só na imprensa, como no geral, mas a verdade é que é preciso perceber o que é a liberdade, e quais os seus limites.

Como se sabe, ou pelo menos devia saber-se, a nossa liberdade termina quanto entramos na liberdade do outro. Mas esta é uma situação que muitas pessoas parecem ainda não entender, ou fazem-se desentendidos. A meu ver, a proliferação das redes sociais veio colocar a nu essa situação.

É usual ler nas principais redes sociais, falo em concreto no facebook, críticas e abusos de opiniões sobre tudo e mais alguma coisa. Nos últimos tempos até parece que todos se tornaram “comentadores e jornalistas”, inclusive comparados a uns certos órgãos de comunicação social que vivem à custa do sensacionalismo.

Hoje em dia, qualquer pessoa virou crítico de um qualquer assunto, mesmo sem saber o que diz, ou, inclusive, sem saber que assunto está a comentar, limitando-se a “comentar o comentário”.

Qualquer um se esconde por detrás de um teclado e de um ecrã de um qualquer computador, tablet ou telemóvel, para gerar polémica e discussão, muita dela desnecessária, e que por vezes torna-se suja o suficiente para ser incinerada.

A liberdade de imprensa existe, mas talvez não o suficiente para acabar com a sujidade e podridão da sociedade. Sim, leu bem, sujidade e podridão que existe a cada canto de uma qualquer terra, seja ela maior ou menor, com mais ou menos habitantes. Mas este é um mal da própria civilização atual, ao qual nada e ninguém poderá colocar um ponto final. Enfim, um assunto que dá que falar e nunca mais terá fim.

A liberdade de imprensa existe, mas talvez apenas aquela que deixam existir. Cabe a cada um saber qual é o seu limite.

Cabe a cada um usar o melhor de si, usar a sinceridade e a honestidade em prol do bem comum, e não buscar o populismo e o sensacionalismo. Bem sabemos que são estes que vendem, mas acima de tudo há que haver dignidade, dignidade da pessoa e da opinião pública, sem tentar “abater” seja quem for.

Quanto a nós, Jornal Diário da Lagoa, apesar dos títulos que nos queiram atribuir, quer por desconhecimento, quer simplesmente porque sim, cá estaremos a fazer o nosso papel de informar quem quer ser informado, e quem não quiser, pois que continue na sua “mediocridade intelectual de abate a todo o custo”.

Norberto Luís
Diretor

Categorias: Editorial

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