Os de cá: José Duarte Soares

Natural da nobre freguesia de Santa Cruz, onde nasceu a 21 de março de 1955 – apesar de só ter sido registado a 25 de abril -, José Duarte Soares é o nome que se segue como um dos que integram o panorama literário do concelho de Lagoa.

Filho legítimo de Santa Cruz, José Duarte Soares nasceu, mais precisamente, na Rua da Cadeia, na casa nº56, tendo como pai José Soares Lopes e como mãe Maria do Espírito Santo Tavares Raposo, filha do Francisco “Morcela”, alcunha pela qual o povo o tratava.

Com três meses de idade, e talvez sem se aperceber do sucedido, foi viver para a Terceira na companhia dos seus pais e do seu irmão, onde atualmente reside e onde estudou, concluindo o sexto ano e iniciando, também aí, o seu caminho profissional na Empresa de Electricidade dos Açores (EDA), da qual se encontra reformado.

Já com três obras publicadas – Ilha de Fragmentos, 2012, A Ilha e o Mar Dentro de Mim, 2015, e Aromas de Poesia, em 2016 -, este escritor e poeta lagoense nunca esqueceu as suas origens, nutrindo pela Lagoa um carinho muito especial e bastante emocionado. Aliás, foi na Lagoa que, no passado dia 17 de março, decorreu a apresentação das suas três obras já publicadas, depois de já ter passado, também, pelo Canadá.

Modesto, humilde, calmo e sereno, este poeta, que assim ainda não se autoproclama, começou nas lides da escrita de poesia desde muito novo, tendo começado por volta dos 8/9 anos a aventurar-se na construção do verso e da estrofe, o que sempre lhe deu um enorme prazer, apesar de, durante muito tempo, ter optado por manter a sua arte em segredo, disponibilizando-a apenas a um círculo restrito de pessoas ou aos que a pediam. Contudo, e por insistência e motivação por parte de conhecidos (entre os quais gente das letras), começou a compilar cada vez mais poemas, optando por partilhá-los, pela primeira vez, com o mundo, num parto que ocorreu em 2012 quando nasceu a obra Ilha de Fragmentos.

Usando o amor como pano de fundo para muitos dos seus poemas, sendo uma temática predominante e que o inspira, este poeta natural de Santa Cruz, freguesia vizinha do mar, não ignora, de maneira nenhuma, as suas raízes e o aroma de nascença, escrevendo, não poucas vezes, precisamente à beira-mar. Para além do mar, estimula-o a solidão. Inspira-se, igualmente, muito no nosso “ser ilhéu”, na nossa maneira de viver, na nossa maneira de sentir, de ver as coisas de outra forma, sempre criados pelo mar. Fala, muitas vezes, nos seus livros, do mar, da bruma, das marés que sempre o inspiraram – e que o continuarão a fazer, certamente.

Orgulho para todos nós, pela sua honestidade e pelo seu trabalho, os seus livros são requisitados por uma grande variedade de gentes que o abordam, pois as suas obras, nos Açores, apenas estão à venda através do próprio.

Lidando com a rima desde tenra idade, e inspirando-se, predominantemente, em Florbela Espanca e em Zeca Afonso, o lagoense José Duarte Soares merece, desta forma, ser homenageado pelo Diário da Lagoa, que continua, assim, a destacar e a valorizar o património literário lagoense, celebrando os seus escritores e poetas.

JTO
(Publicado na edição impressa de maio de 2017)

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