“Só inovando é que conseguimos manter-nos competitivos”

O Governo Regional dos Açores, através do Gabinete do Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas, promoveu uma conferência intitulada “Inovação: Um novo Paradigma Para o Sucesso das Organizações”.

A palestra foi proferida pelo francês Gilles Garel e decorreu no Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, na Lagoa, integrando o programa Cidadania Europeia, A Europa para os Açorianos.

Segundo Rui Bettencourt, Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas, o objetivo é de trazer europeus aos Açores com ideias diversas, sendo o tema da inovação uma questão fundamental.

Essas conferências permitem demonstrar como se desencadeia inovação, definir estratégias, de forma a criar riqueza, emprego e que essa inovação seja proveitosa para os Açores, salientou Rui Bettencourt.

“Trazer a Europa e trazer o mundo aos Açores para podermos criar desenvolvimento”, explicou ao Jornal Diário da Lagoa o Secretario Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas, demonstrando que o Nonagon, é um espaço muito agradável sendo uma mais valia para as empresas açorianas.

“Agora a questão é as empresas açorianas absorverem essas estratégias, dar um passo em frente, não terem medo de inovar, não só não terem medo de inovar, mas ver que só inovando é que conseguimos manter-nos competitivos, manter-nos no mercado. O mercado agora é muito aberto, é muito global e essa competitividade passa pela inovação”, disse Rui Bettencourt.

Para o professor em Gestão da Inovação na Escola Politécnica de Paris e investigador no Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Ciências da Ação (LIRSA), Gilles Garel, a inovação é um tema que está na moda e que muitas vezes está reduzida à área da tecnologia, quando existem muitas vertentes de inovação, nomeadamente: social, simbólica e organizacional.

“Podemos dizer que tem pelo menos duas coisas indispensáveis. Primeiramente, são as ideias criativas, é a capacidade de imaginar conceitos novos e a segunda coisa, são os conhecimentos, não pode inovar se tiver apenas ideias ou se tiver apenas conhecimentos, é preciso os dois e também são necessários: organização, financiamentos, incentivos. Mas, o conceito, as ideias criativas e o conhecimento são indispensáveis”, referiu Gilles Garel ao Diário da Lagoa.

No seu livro, “La Fabrique de l´innovation” e nas suas aulas no Museu de Artes e Ofícios de Paris, Gilles Garel, explica que a inovação tem que ser construída a partir do passado e enraizada nas tradições.

No entanto, existem duas tendências contemporâneas de inovação, nomeadamente, a inovação identitária, onde se questiona a identidade de um objeto, sendo que se inova dando uma segunda utilização e melhorando o mesmo. A segunda forma de inovar, passa por uma rutura e não por um processo de melhoramento de um objeto. Assim sendo, Gilles Garel acredita que haja dois processos diferentes: a conceção de inovação ajustada com a utilização de objetos antigos e a conceção de inovação de rutura.

Gilles Garel exemplificou com a utilização do telefone e do dedo, onde antigamente necessitávamos obrigatoriamente de utilizar o dedo para poder telefonar, no entanto, houve uma inovação de rutura pois atualmente o telefone pode ser utilizado apenas com a nossa voz, deixando de ser necessário a utilização do dedo.

No que diz respeito à inovação nos Açores, o professor parisiense acredita que é muito importante, porque “é um território que é geograficamente isolado, que tem uma forte tradição e, portanto, tem o desafio de conseguir inovar, a inventar coisas novas num contexto tradicional. É a tenção entre a rutura e a inovação.”

DL/AS

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