“A romaria tem de continuar ao longo de todo o ano”

O Rancho de Romeiros de Santa Cruz de Lagoa encontra-se esta semana na sua Romaria Quaresmal, tendo saído dia 1 de abril e terminando no próximo sábado dia 8.

O Jornal Diário da Lagoa esteve à conversa com o novo mestre, João Botelho, alguns dias antes da caminhada deste rancho, onde participam 41 irmãos.

Na Romaria deste ano serão incluídas algumas mudanças que surgem da necessidade de inovar a própria caminhada. Segundo João Botelho, essas pequenas mudanças irão permitir cativar e chamar mais romeiros.

Para o mestre do Rancho de Santa Cruz, é durante a semana de caminhada que se aprende para depois praticar ao longo do ano, consolidando-se, assim, o dever católico no dia a dia de cada romeiro. “Vou procurar a tal chamada de atenção, a tal reflexão que se faz durante a semana. Fazer-lhes ver que o Rancho, para poder caminhar, há muitas pessoas que se envolvem a colaborar connosco, a preparar refeições, porque, hoje em dia, não se conseguem fazer romarias como era antigamente. Fazer ver aos romeiros, que essas pessoas, vão gostar de nos ver ao longo do ano a participar comunitariamente na nossa comunidade”, salientou João Botelho.

Dessa feita, para o novo mestre de Santa Cruz, que já o tinha sido em 2003 e 2004 e que completa este ano a sua 30º romaria, o principal desafio deste ano será de cativar os romeiros durante esta semana para dar continuidade à mesma, ao longo do ano.

Efetivamente, as pessoas que oferecem a refeição aos romeiros, também estão a fazer sacrifícios e considera-se que também fazem parte da romaria, sendo “tão ou mais romeiros do que muitos que fazem a própria caminhada”.

De relembrar que a freguesia de Santa Cruz esteve 18 anos sem rancho de romeiros, tendo regressado no ano de 1999, sendo que, este ano, o grupo completa 18 anos de romarias.

João Botelho referiu, ao Diário da Lagoa, que tudo se inicia com a participação na Eucaristia, não só com o sentido de obrigação, mas principalmente com o sentimento de dever, esperando que ao longo do ano haja mais colaboração por parte dos romeiros e que se dispersem menos. “As romarias são quaresmais, mas os romeiros são todo o ano. As romarias quaresmais são na época própria da Quaresma, esse sentimento de sacrifício, de preparação e de mudança que se quer no ser Cristão, mas essa mudança só faz sentido, se for trazida para o longo do ano na nossa vida”, adianta o novo mestre.

Para João Botelho, cativar outros irmão a serem romeiros, demonstra que são discípulos de alguém e que é o exemplo de cada um chamar as pessoas a participarem naquilo que gostam de fazer.O a

tual mestre de Santa Cruz demonstrou ao Diário da Lagoa, toda a sua admiração pelo antigo mestre Edmundo Botelho, que teve que se afastar por motivos físicos, referindo que é uma pessoa que vive intensamente a Eucaristia e participa em vários grupos da comunidade lagoense.

De salientar que o mestre João Botelho, já participou em 30 romarias, sendo que iniciou com 12 anos de idade, no rancho do Livramento, embora tenha parado durante seis anos, nomeadamente quando foi para a tropa ou por questões profissionais, recordando que “romeiro uma vez, romeiro para sempre”. “Nem que seja por aquelas pessoas que procuram os romeiros para rezarem por eles, porque há testemunhos de pessoas que têm a necessidade que se rezem por elas, é aí que estão os romeiros. Só por aí, quem quer ter essa experiência de fazer a romaria uma vez na vida, venha saber o que é ser romeiro. Portanto a resposta, [do porquê de ser romeiro durante tantos anos], está nas pessoas que nos procuram para rezar por elas”, explica o mestre de romeiros.

Finalmente, João Botelho referiu que é um dever quase que obrigatório os romeiros participarem nas suas comunidades, porque é um elo que se vai criando, nomeadamente com a oração à distância de uns para os outros, encarregando-se Deus de dar a resposta às orações dos romeiros e a tudo aquilo que recebem da comunidade.

DL/AS

Categorias: Local, Religião

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