Gilberto Rodrigues Furtado: a pessoa, o trabalho e a obra

A 1 de abril de 1942 nascia na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, no concelho de Lagoa, o ilustre empresário e árduo trabalhador Gilberto Rodrigues Furtado.

Filho de Augusto da Costa Furtado e de Maria Laura Rodrigues Cardeal, o “Sr. Gilberto”, como era popularmente aclamado e conhecido por todos, sempre cativou nos outros a simpatia e a alegria com que se lhes dirigia diariamente.

Homem de causas, de valores, de princípios morais e adepto da social-democracia, Gilberto Rodrigues Furtado manteve-se sempre fiel à sua condição de humilde servo da sua terra, estando, durante toda a sua vida, ao serviço do seu povo, não manifestando nunca qualquer tipo de ódio ou de tristeza que o resvalassem para a antipatia – por outras palavras, a boa disposição com que recebia o seus clientes ou com que cumprimentava os seus pares, sempre foi um dado adquirido na sua longa e repleta vida.

Pessoa de poucas palavras, mas um excelente ouvinte – algo que, nos dias que correm, é cada vez mais raro -, tinha muitos amigos: amigos clientes, amigos fornecedores, amigos emigrantes no Canadá e nos EUA, amigos de infância. A relação que mantinha com a sua clientela era muito própria do tipo de empresário que era: próximo do seu público, trabalhador, honesto e com uma grande vontade de prestar um bom serviço, de auxiliar quem o procurava.

Depois de terminar a quarta classe, começou desde logo, aos 12 anos, a trabalhar na loja do Sr. Mariano Soares (patrão e amigo). Era empregado de voltas. Passava por determinadas ruas, a saber o que é que as pessoas precisavam. E depois ia, juntamente com outros rapazes, fazer as entregas nas canastras. Levou dois anos como empregado de voltas e depois passou para o balcão, estando aí 17 anos.

Mais tarde, surge a chamada “Loja do Gilberto” – no local onde é hoje a Furmatec -, então antigos correios. Fundada a 1 de dezembro de 1971, começou a mesma pela venda de louça variada, de vidros e utilidades – era, aliás, esta a base da sua publicidade. Apareceram depois os electrodomésticos. Foi o Sr. Gilberto o primeiro comerciante na Lagoa a vender colchões de molas, fogões a gás e frigoríficos, o que na altura foi uma inovação, exercendo estes produtos, naturalmente, um magnetismo especial sobre as pessoas.

Sem nunca ter tirado férias durante toda a sua vida, e trabalhando arduamente sete dias por semana, Gilberto Rodrigues Furtado é um modelo de trabalho, de disciplina e de dedicação. Longas e suadas foram as noites em que percorreu diversas casas, a fim de consertar, por exemplo, fogões avariados ou esquentadores, uma vez que já havia tirado um curso para o efeito. Deitava-se a horas imprevisíveis, auxiliando todos os que lhe requeriam ajuda. E ajudava com gosto e dedicação, como poucos.

Numa altura em que se celebra o 424º aniversário da freguesia de Nossa Senhora do Rosário, é oportuníssimo relembrar que, para além do seu negócio, este ilustre lagoense também se dedicou à causa política e social, tendo sido, com destacado mérito pela sua popularidade e aclamação, o primeiro presidente da junta desta freguesia após o 25 de abril de 1974, onde deixou obra feita: a antiga sede – que foi a primeira, aliás – da junta de freguesia, tendo sido uma obra fundamental, e a colocação do relógio na igreja, obra que, igualmente, visionou, planeou e acabou por concretizar.

Persistente, nunca desesperou face às dificuldades e sempre, sempre lutou em prol dos interesses da sua terra, embora, por opção pessoal, só tenha ficado à frente dos destinos da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário durante um mandato.

Nutrindo um amor especial pelo seu partido, o Partido Social Democrata, havia uma mistura entre o Sr. Gilberto político e o Sr. Gilberto comerciante. As pessoas procuravam-no constantemente na loja ou noutro local. Inclusive, quando foi construída a primeira sede da junta (no seu único mandato), escassos eram os fundos para transportes e era ele, na sua carrinha, que ia buscar tijoleira, madeira, fazendo árduos serões dedicados a trabalhar ali com os restantes trabalhadores. Mais do que um chefe: foi um líder, um homem de princípios e valores, um exemplo a seguir.

Tendo estado, durante toda a sua vida, ligado ao seu negócio, foi homenageado, em 2009, pelas comemorações da Câmara Municipal de Lagoa, em abril, com a medalha da câmara e, em 2010, foi homenageado postumamente pela Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário.

Homem dinâmico e de ideias próprias, faleceu a 16 de setembro de 2009.

JTO

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