Espetáculo “Prismas de Sons, Palavras Ditas” na Lagoa

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No próximo dia 11 de março, a igreja do Convento dos Franciscanos, na cidade da Lagoa, acolherá o espetáculo “Prismas de Sons, Palavras Ditas”, que contará com os seguintes intérpretes: Sonasfly & Emanuel Paquete; Umbrella’s Dream; Aurelino Costa; Jorge Delfim; Marisa Oliveira; e Félix Medeiros. A entrada é livre.

“Prismas de Sons, Palavras Ditas” consiste num espetáculo em que se cruzam sons e vozes diferentes, com o cunho pessoal de cada intérprete, bem como com a abertura à música, sons e palavras que provêm dos outros. Prevê-se, assim, um espetáculo único que preconizará um encontro de gerações, de saberes e de amor pela arte que os une, criando uma simbiose entre o dito e o cantado, entre o lírico e o sussurrado, em que nada deixará de ser dito e tudo ficará por dizer.

Refira-se que, Sonasfly nasceu na ilha de S. Miguel e pisa o seu primeiro palco com 4 anos. Começou a aprender violão aos 13 anos no grupo folclórico da sua freguesia continuando, posteriormente, a sua aprendizagem de forma autodidata. Compõe o seu primeiro tema original (‘God’),em 1996 e pisa um grande palco, pela primeira vez, com outro original (‘Definições’) em 2003. Depois desta data, Sonasfly experimenta vários géneros musicais, nunca deixando de salientar o seu “Eu” que a trouxe até aos dias de hoje. Sonasfly conta já com três álbuns editados, quatro nomeações e um prémio internacional.

Emanuel Paquete, nasceu em Ponta Delgada no ano de 1976. Descobre o gosto pela música aos 18 anos e ingressa no Conservatório de Ponta Delgada, para se dedicar ao violão clássico, conciliando a arte e o curso de engenharia na Universidade dos Açores. Em 1998, em Lisboa, continuando a sua formação académica, dedica-se à área da música de forma autodidata estudando importantes peças clássicas como “Recuerdos D’Allambra”, “Astúrias”, entre outros. Emanuel Paquete conta já com dois álbuns editados, dois prémios regionais e experiência de palcos internacionais como o “Festival des Cordes Pincées” (Marrocos, 2004), “One Man Band Fest” (Canada, 2013), entre outros.

Estes dois artistas, agora a trabalhar em conjunto, decidem fazer uma viajem no tempo. Com um projeto simples e harmonioso Sonasfly & Emanuel Paquete reapresentam o trabalho da artista em formato semiacústico, presenteando a plateia com temas dos três álbuns que refletem a pessoa que Sonasfly é hoje.

Marisa Oliveira e Félix Medeiros integram a banda “The CODE”. É uma Banda de Rock Alternativo Açoriana (Original) e tem como objetivo promover a música que se faz cá dentro. Recentemente os “The CODE”, de que Marisa Oliveira é a voz e Félix Medeiros assegura a guitarra. Apresentaram o seu primeiro EP de originais, “Estrada” que constitui já um sucesso.

“Umbrella’s Dream” nasce da fusão de várias experimentações musicais ocorridas entre Bruno Duarte, Maria João Moniz e Tiago Sousa que, ao longo dos últimos anos, têm vindo a trabalhar juntos em projetos variados mas procurando sempre o seu “eu” musical mais íntimo. Com influências que vão desde o Soul ao cancioneiro açoriano, este trio faz a sua estreia neste espetáculo, procurando laurear a música sobre a batuta da poesia. Advogado, poeta, ator de cinema, às vezes Aurelino Costa define-se como um “dizedor de poesia”. Muitos anos depois de encetar o ofício, “a perplexidade” de ouvir a sua própria voz permanece. Persegue-o. “O dizer poesia surgiu em mim como uma inquietação”. E essa inquietação leva-o a revisitar a obra de José Régio, de Miguel Torga ou de José Gomes Ferreira. Leu Ângelo de Lima e Manuel Alegre em Leninegrado. Enquanto estudante, deu voz a poemas de Régio e Antero numa homenagem ao pai de Carlos Paredes. Autor de Poesia Solar, Na Raiz do Tempo e Pitões das Júnias, entre outras obras, um poema seu, Harpa e Delírio d’Água, foi musicado e cantado pela soprano e harpista catalã Arianna Savall. Por sua vez, o pai de Arianna, Jordi Savall, convidou Aurelino para a narração em Miguel Cervantes e para “Las Músicas del Quixote”, um dos espetáculos do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, em 2006. Com o maestro António Victorino de Almeida gravou, em 2001, Na Voz do Regresso, uma homenagem a José Régio, no centenário do nascimento do poeta – que escolhia o Diana-Bar, na Póvoa, para local de trabalho “muito simpático” no Inverno. O maestro e o dizedor voltam a encontrar-se: evocam agora a poesia de Miguel Torga. Aurelino Costa nasceu em 1956 em Argivai, Póvoa de Varzim. Advoga, escreve e diz (poesia).

Jorge Delfim, nasceu em Angola (Lobito) em 1960. Náufrago do império, que nunca desejou, veio em finais de 1975, para Portugal continental, tendo residido no Porto, Vila Real de Trás-os-Montes e Coimbra, onde se licenciou em Direito. Nestas cidades participou em várias tertúlias culturais, dizendo poesia. Regressou a Vila Real, onde entre 1987 e Julho de 1989, para além do estágio para advocacia, fez rádio tendo um programa semanal (Terra Fértil) na Rádio Voz do Marão. Reside nos Açores desde 1989, onde vive e trabalha, sendo advogado de profissão. Publicou dois livros de poesia, por decisão sua, em edição de autor: Eterno Instante (2009) e Fogo Que Arde Até à Morte (2010). Colabora regularmente com a Rádio Atlântida e é autor de várias crónicas publicadas no Jornal “Açoriano Oriental”.

DL/CML

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