“Bólide” provoca fenómeno luminoso observado por centenas nos Açores

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Na noite do dia 27 de fevereiro, pelas 19:54, foi possível observar um fenómeno luminoso de magnitude considerável no céu dos Açores e que foi testemunhado por pessoas em todas as ilhas do arquipélago.

Segundo o OASA, Observatório Astronómico de Santana – Açores, o fenómeno terá resultado de um bólide (ou “fireball”): um meteoro que provoca um brilho aparente maior que o de um planeta, podendo atingir o brilho da lua cheia.

A imagem foi conseguida através de uma câmera de segurança instalada na ilha de S. Jorge. 

A imagem parece representar o objeto avistado, indo de encontro aos relatos disponibilizados. Assim, e conforme os relatos, o meteoro terá cruzado lentamente o céu Sul, levando cerca de 2 segundos a atravessar um arco de minuto. O mesmo pareceu percorrer o céu em paralelo ao horizonte, na direção Este-Oeste, tendo o fenómeno luminoso durado mais de 3 segundos.

Os relatos indicam ainda que o objeto, apesar da cor verde/azulada predominante (e típica neste tipo de fenómeno), e cauda amarelada, o meteoro terá “mudado de cor” ao longo do seu trajeto, algo confirmado pela baixa altitude com que o mesmo cruzou o céu (a cerca de 20º do horizonte), o que resultou numa maior refração atmosférica e provocou o mesmo fenómeno luminoso observável em estrelas quando estão próximas do horizonte. 

Há testemunhos ainda de clarões provocados pelo fenómeno luminoso, uma situação também característica dos bólides que costumam explodir na atmosfera devido à dimensão considerável do objeto espacial que os provoca.

No entanto, e ao contrário do meteoro observado na Graciosa e Faial em 2015, o fenómeno luminoso não terá sido seguido de qualquer onda de impacto ou som imediato. Apesar de alguns relatos de um som (“estrondo”) ouvido, as testemunhas notaram que o mesmo só foi ouvido cerca de 4 a 5 minutos depois do fenómeno luminoso, não sendo assim possível confirmar uma correlação.

Há ainda o relato de pessoas que viram mais fenómenos luminosos durante esta noite, parecendo surgir da mesma direção, apesar de não tão brilhantes. Com esta informação, e com a ocorrência de um bólide há 2 anos, na mesma altura, é possível supor-se que estes meteoros serão resultado da “Chuva de Estrelas” menor das Delta-Leónidas. Esta “chuva”, apesar de não se atribuir responsabilidade a um cometa em específico, têm o seu pico normalmente marcado para o dia 26 de fevereiro, onde todos os anos são reportados meteoros lentos e tão luminosos quanto Vénus. Com o meteoro registado a parecer surgir do céu Este (onde se encontra a constelação de Leão), é possível que se tenha tratado mesmo de uma Delta-Leónida.

O OASA explica ainda que o fenómeno luminoso que foi visto designa-se por meteoro, havendo apenas meteorito se um objeto (por exemplo, um asteroide) que entre na atmosfera terminar com um impacto na superfície terrestre. Este terá sido apenas um meteoro, uma vez que para haver meteorito, o objeto teria de ter sido muito maior e, consequentemente, o fenómeno luminoso teria sido notoriamente mais dramático.

DL/OASA

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