“Falta uma torre Eiffel à Lagoa”, dizia Norberto Ponte

Emanuel está a acabar o terceiro ano da licenciatura em Comunicação Social e Cultura, na Universidade dos Açores.

Recentemente realizou uma entrevista, concedida em novembro de 2016, a Norberto Ponte, então Presidente do Nelag, subordinada ao tema da restauração, do protocolo celebrado com a Nonagon e sobre  o panorama geral da cidade de Lagoa. Tratou-se de um trabalho da disciplina de Oficina de Jornalismo. 

Tendo falecido recentemente Norberto Ponte, e como forma de homenagem, a pedido de Emanuel, publicamos a entrevista na íntegra.

Norberto Ponte Presidente NELAG Lagoa Açores

ENTREVISTA:

No início do mês de novembro foi assinado um protocolo entre a Nelag (Núcleo de empresários da Lagoa) e a Nonagon (Parque de ciência e tecnologia de São Miguel) que entrará já em vigor no próximo mês de dezembro.

Este protocolo visa a cooperação entre as duas entidades e tem por objetivo o apoio a nível tecnológico, das empresas lagoenses e a criação de condições para surgirem novas empresas.
Na sequência deste protocolo conversamos com Norberto Ponte, presidente do Nelag e gerente do restaurante “O Carlos” que se situa na cidade da Lagoa.

Quais são os grandes objetivos do protocolo assinado entre o Nelag e a Nonagon?
O protocolo pretende que o nosso núcleo de empresários utilize e tire partido de tudo que a Nonagom tem: salas de formação avançadas em novas tecnologias, salas para empresas em fase de iniciação,salas para empresas start up, salas para conferências,auditório para promoções de produtos.

Numa altura em que o país atravessa uma forte crise financeira como explica o aparecimento em massa de novas start up? E na Lagoa também vão surgindo essas empresas?
São as novas oportunidades existentes no mercado para além da crise. A crise tira algumas coisas mas dá outras, isso é um exemplo disso. Na Lagoa, ainda não se vê muito essa tendência. Mas vão aparecendo aos poucos. O protocolo também teve essa intenção.

Quais são as principais dificuldades que os empresários na Lagoa tem sentido e em que medida este protocolo vem colmatar as mesmas?
Infelizmente, os empresários na Lagoa ainda vão sentindo algumas dificuldades. Este protocolo veio colmatar algumas dificuldades. Por exemplo,se tiveres uma empresa inovadora com um produto inovador chegas a uma fase que não consegues ir mais além, em que a tua ideia acaba por estagnar. Nesse caso com este protocolo ajudamos o empresário a ir mais além, eles estão ali para ajudar.
Dou um exemplo prático.Temos uma empresa que criou um produto roupa nas filagens da criptoméria,eles (Nonagon) estão ajudando a resgatar o resto do produto a nível mundial para ter o produto final.
Há falhas que as nossas empresas ainda têm. Este protocolo surgiu precisamente por causa disso. Cada vez mais temos de nos adaptar aos tempos em que vivemos e este protocolo assegura isto.

Mas nem tudo são dificuldades, certo? Na sua opinião, quais são as principais evoluções que têm-se verificado nos últimos anos nas empresas da lagoa?
Certo. Evoluiu-se muito. Evoluiu-se na formação dos recursos humanos com as várias escolas profissionais e com o crescente interesse das pessoas no ensino superior, em instalações informáticas, na modernização de espaços. E isso é algo que as pessoas vão notando. O caminho agora será sempre ir mais além. Há que melhorar diversos aspetos ainda para que a própria cidade possa evoluir. Mas estamos num bom caminho.

Para além de presidente do Nelag é também gerente do restaurante “O Carlos”. A maioria dos empresários que faz parte do Nelag tem negócios na área da restauração. Quais são as suas principais queixas, nessa área?
Acho que a maior dificuldade mesmo é o facto da Lagoa não ter pontos turísticos que sejam atrativos. Para além disso o facto de não termos na Lagoa nenhuma unidade hoteleira dificulta ainda mais a nossa tarefa. Um Hotel iria nos facilitar a vida, iria permitir maiores rendimentos. Os turistas passam um dia no nosso concelho e depois voltam para o local onde estão alojados em Ponta Delgada, acabam por não consumir nem gastar  muito. Falta ao nosso concelho a implementação de um shuttle gastronómico. Por exemplo, através de noites temáticas, de produtos típicos da Lagoa. Precisamos de apoios governamentais mas há certas coisas em que nós é que temos que tomar iniciativa.
“Na Lagoa não temos as mesmas infraestruturas que a cidade de Ponta Delgada tem”.

Em relação à cidade de Ponta Delgada, acha que a evolução das empresas da Lagoa está mais atrasada?
Acho que temos conseguido progredir e crescer aos poucos. O pior é que tudo acontece lentamente. Na Lagoa não temos as mesmas infraestruturas que a cidade de Ponta Delgada tem. Faltam-nos pontos de interesse. Faltam espaços que possam propiciar o crescimento das nossas empresas. Falta, por exemplo,umas portas da cidade,um coliseu, um teatro, jardins, praias, miradouros, mercado,biblioteca, Mc’donalds. São tudo espaços que ainda não temos e que permitem um maior desenvolvimento às empresas de Ponta Delgada. Nós vamos continuar a crescer mas precisamos de mais infraestruturas para que esse crescimento seja feito num ritmo diferente.

Faltam pontos de interesse ou tem havido falhas na divulgação dos locais de interesse na Lagoa?
Na minha opinião é um pouco de cada um. Falta divulgação daquilo que temos de bom: a restauração que é considerada por muitos o ex-líbris da Lagoa, as nossas piscinas naturais, mas continuam a faltar coisas distintivas e que possam atrair turistas todo o ano. Porque só a restauração é manifestamente pouco para que possamos chamar turistas até nós. O turismo representa uma grande fatia das receitas da região mas não podemos continuar parados no tempo. Há que aliar o tradicional ao moderno, há que chamar a atenção de quem nos visita. Para isso é preciso também que o governo nos ajude e que não cortem as nossas pernas como tem vindo a fazer.

Por parte do governo regional o que é que pode ser feito?
Primeiro é preciso que olhem para as empresas da Lagoa com outros olhos. Nós temos feito a nossa parte bem feita nos últimos dois anos. Por parte do governo não podemos dizer o mesmo. Nos últimos dois anos demos entrada na direção regional do turismo vários projetos. Projetos esses que foram sempre reprovados. A justificação passa sempre pela falta de verbas. Agora pergunto-me como podemos evoluir e atrair turismo para a Lagoa se o governo se apresenta como um entrave e não como um aliado ao nosso desenvolvimento? Assim vai ser muito complicado darmos o passo em frente.

Na sua opinião o que é que tem faltado à cidade da Lagoa para dar o passo em frente? Quais foram os projetos apresentados?
Falta uma Torre Eiffel à Lagoa (risos). Falta que os nossos governantes tenham um contacto mais próximo de nós, que nos oiçam, para além de todos os aspetos que mencionei ao longo da entrevista. Quanto aos projetos, já apresentámos alguns mas vamos voltar a apresentar outros. No imediato gostaríamos de apresentar um projeto para a construção de um mercado municipal Gourmet para podermos promover a marca Lagoa, desde o vime à queijada de milho. O outro projeto que temos em mente passa pela criação de uma  Smart City. A ideia consiste em criar uma aplicação e para colocar todas as informações referentes à Lagoa. Por exemplo, o preço que está a laranja “ Lagoa”, os melhores lugares para estacionar, menus dos nossos restaurantes. Era algo que poderia colocar-nos noutro nível e que iria ajudar muito ao desenvolvimento da nossa cidade.

Emanuel

Categorias: Local

Comentários

  1. César Coelho
    César Coelho 3 Fevereiro, 2017, 00:49

    Cidade de lagoa tem muita pouca coisa a oferecer para o turismo, sabemos que, a vertente turística dará sempre muito lucro nesta nossa cidade, como exemplo o Dubai, o turismo nesta cidade das arábias supera muito mais do que a exportação de petróleo a nível de ganhos lucrativos. Resumindo, Cidade de Lagoa está faltando muitos pólos atractivos para o turismo , monumentos a serem apreciados pelo turismo são muito poucos, infelizmente.Talvez construindo imensas casas de pedra imitando o antigo com funcionalidade para o turismo rural dentro de nossa cidade, seria uma mais valia para atrair turismo. Se remodelassem a Gruta dos Frades, talvez seja uma linda ideia para os turistas que gostem de caminhar em grutas,seria um óptimo trilho subterrâneo que liga o Convento até ao mar!

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