Voz do Passado – A imprensa lagoense antiga | 04

A QUINZENA | Nº1 | Redactor – Santos Cordeiro | Editor – J.J. Carreiro | Typ. Do «Campeão Popular» – Sexta-feira 4 de Julho de 1890

“A nossa conducta” – Nota da Redacção
Quando um jornal vê a luz da publicidade, é da praxe explicar àqueles que serão de futuro seus leitores, o caminho que deverá seguir, e, é por isso que em poucas palavras “A Quinzena” escreveu ao público «a sua conducta» ou forma como iria desempenhar o seu modesto papel, na industrial e florescente vila da Lagoa. Pretendiam ser imparciais na politica, referindo-se porém a acções dos políticos, sem contudo se importarem com a sua vida privada. Teriam uma pequena secção literária e outra noticiosa.

A Quinzena, 21 Fevereiro 1891

Noticiário
Na noite de 23 e dia 24 de Junho (1890) realizaram-se as sumptuosas festas que todos os anos são feitas a expensas do senhor Bernardino (da Silva), respeitável cavalheiro desta vila, proprietário duma importante fábrica de louça ( Cerâmica Vieira).
Na noite de 23 arraial e fogo de artifício, tocando nesta ocasião as bandas d’Água de Pau e Estrela d’Alva, desta vila. Ambas tocaram muito tendo no entanto a especializar um lindo ordinário tocado pela banda d’Água de Pau e uma explêndida valsa, intitulada «A Saudades», composta pelo nosso amigo Francisco Parreira Allapez e uma bela mazurka do sr. Quintiliano Furtado, tocadas pela Filarmónica «Estrela d’Alva».
Domingo festa e coroação e à tarde império.
Tudo correu na melhor ordem.
(A QUINZENA – Sexta-feira 4 de Julho de 1890)

Procissão de Nossa senhora do Monte do Carmo no lugar do Cabouco
Realizou-se domingo passado naquele pitoresco lugar as festas em honra da Sra do Carmo. A comissão encarregada dos festejos envidou todos os esforços para o maior brilhantismo deles. Acompanhou a procissão a filarmónica «Estrela d’Alva». Sabemos quem não ficou muito contente com isso …
Pois é coser as raminhas nas . . Cal … ças! E é fazer que se não importa … porém para a outra vez pedimos a S. Revd.º que não apresse o passo, porque pode cair e pisar-se.
(« A Quinzena» nº 22 – 25 de Julho de 1891)

EDITAL – Higiene Sanitária / Rosário
O Dr. Comendador Álvaro Pereira de Bettencourt Lopes, Administrador do Concelho da Vila da Lagoa por sua Majestade El-rei &.
Faço saber que (…) precavendo várias medidas sanitárias, para evitar ou diminuir qualquer epidemia, sempre esperada, com mais ou menos intensidade n’esta quadra, e vendo que o mal que precavia e quis evitar aparece na freguesia do Rosário deste concelho; devido talvez em parte ao pouco caso que fazem os povos dos conselhos higiénicos e pouca fé nos mesmos, desprezando a máxima – «quem ama o perigo, ou não o evita cai nele».
Obriga-me o mal a aconselhar de novo. – Limpeza máxima nas habitações, estrumeiras e pátios, remoção de estrumes ou abafados com um palmo de terra de espessura sobre toda a sua superfície. Proíbe-se nas casas de habitação ou suas proximidades se conservem substâncias orgânicas e animais, em decomposição. Proíbe-se aos pescadores o lavarem os barcos a não ser à borda d’água.
(…) Recomendando-se ás pessoas que tratam dos enfermos o enterrarem, logo, os vómitos e excrementos d’aqueles…
(…) E, não se fazendo como fica dito muitas famílias ficarão sem chefe e muitos pais sem filhos. O interesse é de nós todos, todos devemos ser fiscais d’estas determinações. Os que não cumprirem, incorrerão nas penas do artº 188º 1º do cod. Penal, e serão punidos correccionalmente.
Aceitam-se denúncias.
Para constar se passou o presente e como este mais 11.

–Administração do Concelho, 8 de Setembro de 1891
O Secretário da Administração
João Jacintho de Medeiros Carreiro

Factos & Boatos
Na Caloura em Água de Pau, a solicitude da Junta Geral levou-a à expropriação d’um trecho de terreno junto ao porto, para construção d’um varadouro, cujas obras foram interrompidas, nun xe xabe porquê.
Eis quanto devemos á primeira corporação administrativa do districto. No tocante á nossa corporação municipal a situação não é mais grata. D’isso porem nos ocuparemos oportunamente. Que não perde pela demora.
(O SUL – 13 de Outubro de 1900 — Redacção e Administração – Canto, Rua do Dr. José Pereira Botelho – Rosário – Gerente, Proprietário e Responsavel – Guilherme Gouvêa Fragoso)

Por: RoberTo MedeirOs
(Artigo publicado na edição impressa de fevereiro de 2017)

Categorias: Opinião, Voz do Passado

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