Cerâmica Vieira: o perfecionismo de 154 anos

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A cerâmica é uma arte que preza o trabalho, o perfeccionismo e que exige uma dedicação permanente. Existem, assim, empresas dedicadas a valorizá-la e a trabalhá-la, como é o caso da Cerâmica Vieira, em plena Cidade de Lagoa, sendo que os seus trabalhadores dedicam-se, com todo o tempo e cuidado, a esta arte.

Dos meandros da fábrica emana tradição e pureza. Entrar na Cerâmica Vieira significa dar de caras com 154 anos de muito trabalho, significa dar de caras com as origens da arte em si, sendo que esta empresa lagoense destaca-se exatamente por manter intactos e intocáveis os meios de produção tradicionais: “é isso que nos distingue”, destaca uma das duas irmãs presentes, sendo que as duas, juntas, honram, nos dias de hoje, com a sua extrema dedicação e capacidade de liderança, os antepassados familiares que fundaram essa mesma Cerâmica Vieira.

Manuela e Teresa Vieira fazem parte da 5º geração. O seu pai, António Vieira, que se distingue pela sapiência e experiência próprias de um verdadeiro mestre, criou, assim, duas filhas inseparáveis que gerem esta empresa centenária sempre com “muita persistência, muita vontade de estar presente nos sítios e de dar sempre a volta por cima quando aparecem dificuldades. Satisfazer o cliente é importante”.

O primeiro passo foi dado em 1862, precisamente por Bernardino da Silva. Contam-nos as irmãs que o mesmo “veio de Vila Nova de Gaia, fixando-se na ilha de São Miguel. À falta de uma cerâmica vidrada, fundou uma – já que era útil para a cozinha, para as pessoas comerem, para arrumarem enchidos de porco, etc. Ele passou por cá, voltando, mais tarde, a Vila Nova de Gaia, sendo que, quando regressou, veio com um colaborador. Juntos fundaram a Cerâmica Bernardino da Silva, junto ao Porto dos Carneiros”.

Mantendo-se sempre estável ao longo dos anos, a Cerâmica Vieira nem sempre se alicerçou tanto no turismo como acontece agora. Antigamente, a afluência provinha principalmente de habitantes locais, sendo que, atualmente “a procura vem do turismo, dos emigrantes que chegam de qualquer parte do mundo e, claro, provém também dos de cá”. A afluência turística é tal que “no Verão, de manhã, chegam até nós 3,4,5 autocarros cheios de turistas”.

Existindo sempre aquela vontade de inovar e de fazer diferente, ambas as irmãs deixam uma garantia: “fazemos o possível para carimbar inovação e originalidade em todas as nossas peças”, embora a inovação não passe, necessariamente por uma presença assídua nas plataformas digitais, justificada pelas dificuldades de transporte inatas às vendas online, tendo em conta os produtos que se pretendem fazer vender, sendo que “estamos a falar de loiça que se parte e que tem de ser condicionada. Estamos a lidar com produtos que não podem ser facilmente transportados”.

E como o Natal se aproxima, assim se trabalham produtos cada vez mais natalícios. Para a época natalícia, pode contar-se com várias novidades: os pratos, os bonecos de efeitos onde as velas podem ser colocadas, o pai natal para se colocar nas garrafas e algumas peças que vão sair agora por altura do Natal, sendo que todas estão à venda na loja”, conta Manuela Vieira. Acrescenta ainda que têm “pratos para os bolos, as torteiras para pôr as típicas tortas de Natal, serviços de chá e café, os serviços de jantar completos para as pessoas fazerem a sua consoada, árvores de natal com velas para decoração, entre outras coisas”.

Se a Cerâmica Vieira esteve sempre presente até aos dias de hoje, a intenção é que se mantenha sempre assim durante uns bons anos. Para o futuro, o propósito é o de se continuar a produzir, havendo abertura total a “qualquer tipo de propostas que nos cheguem, mesmo às mais modernas”. O objetivo, esse mantém-me intocável: prestar um serviço à comunidade, abraçar novos projetos e produzir com o mesmo rigor de sempre, “modernizando sempre um bocado ao nível de algum modelo, de cores, de desenho, sendo que, embora isso, algumas coisas – porque já são nossas – não se podem mudar radicalmente. O importante é satisfazer o cliente, ter qualidade no produto, nas peças que se fazem e que se pintam”, referiu.

DL/JTO

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