A depressão é uma doença que tem sido “minimizada” pela sociedade

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A Junta de Freguesia do Cabouco foi palco de uma sessão de promoção da saúde mental, sob o tema “Os Caminhos da Depressão”, organizada pela Casa do Povo de Cabouco.

O Gabinete de Psicologia e Intervenção Comunitária da Junta de Freguesia do Livramento, foi a Instituição escolhida para promover a sessão de reflexão, contando com Carolina Ferreira, psicóloga e João Pedro Lopes, neuropsicólogo, como oradores.

Para o Presidente da Junta de Freguesia do Cabouco, Adriano Costa, este tema é muito importante, sendo que 400 mil portugueses sofrem desta doença e um terço não tem ajuda ou tratamento.

No âmbito do Programa Bem-estar Sócio-cultural, anualmente a Casa do Povo de Cabouco organiza duas sessões informativas sobre diversos temas.

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Segundo Carolina Ferreira, a depressão é uma doença que tem sido “minimizada” pela sociedade, por ser uma doença que não é visível, quando na realidade uma a cada cinco pessoas sofre de doenças mentais.

A depressão pode manifestar-se de várias maneiras, nomeadamente através do comportamento da pessoa, pensamentos, corpo e sentimentos.

Existe uma grande diferença entre a “tristeza e a depressão”, e a ultima acontece quando a tristeza é muito intensa e demora a passar.

Os sintomas cognitivos, emocionais, comportamentais e físicos, manifestam-se quando a pessoa está com depressão. Os exemplos são numerosos e revelam-se com a mudança do padrão do sono, o apetite pode alterar, choro, ansiedade, raiva, problemas de memoria, irritabilidade, alterações de humor, entre muitas outras formas de manifesto.

Segundo a psicóloga, existem diferentes tipos de depressão: a depressão atípica, que passa mais despercebida, a depressão pós-parto, que a “sociedade vê com muito maus olhos”, a depressão sazonal, que é muito comum no outono e inverno devido à diminuição do sol e finalmente a depressão distimia, que na realidade é cronica.

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O neuropsicólogo, João Pedro Lopes, perante uma sala cheia, explicou a influência do cérebro na depressão, que surge devido às alterações biológicas, genéticas e experiências de vida.

A depressão é um circulo que afeta o cérebro, passando por diversos processos. Inicia com um momento de “stress”, que desenvolve neurotransmissores, provocando a produção de hormonas e cortisol, para pessoas que sofrem de depressão este circuito “fica sempre ativo e modifica a morfologia do cérebro”.

Existem muitas formas de tratamentos psicológicos e a medicação indicada para a depressão é de dois tipos diferentes: antidepressivos, que estabilizam os neurotransmissores e calmantes. “A depressão tem cura” e cerca de 80% dos doentes ficam bons após tratamento.

O neuropsicólogo, explicou as diferentes estratégias de auto combate à depressão, nomeadamente: envolver-se, cuidar de si, ver o lado positivo, autocontrole e procurar ajuda.

Para Carolina Ferreira, não é fácil lidar com um familiar ou amigo com depressão e várias etapas são necessárias. Procurar informações acerca da doença, não “personalizar” o comportamento da pessoa doente, não negar a doença, sugerir uma consulta ao médico, acompanhar na ida ao psicólogo/psiquiatra, ter expetativas realistas, agir com afeto, ouvir e evitar dar conselhos ou juízes de valor, são algumas das formas indicadas pela psicóloga para lidar com um familiar com depressão.

DL/AS

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