“Uma pessoa que saiba de literatura não pode, de maneira nenhuma, dizer que não sabe distinguir uma boa pintura de uma má pintura”

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O quinto aniversário da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, no Convento dos Franciscanos, na Lagoa, foi celebrado com a inauguração da exposição “Três Pintores”, de Urbano e Victor Almeida.

A exposição ficará patente ao publico até 30 de novembro, sendo uma exposição “bastante heterogénea mas cuja a heterogeneidade acaba por não criar nenhuma exclusão, nenhuma hostilidade entre as duas perspetivas artísticas que estão aqui em evidência”, referiu Leonor Sampaio da Silva, docente no Departamento de Línguas e Literatura Modernas da Universidade dos Açores.

Para Leonor Sampaio da Silva, os trabalhos do Urbano demonstram um “grande investimento na presença da matéria, dos vários elementos que constituem a vida no Planeta”, com um especial destaque para a água.

Por outro lado, o livro também está valorizado nas obras do artista, “enquanto início de uma consciência e até mesmo de um pensamento que se impõem sobre o mundo”.

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Já o pintor Victor Almeida, utiliza técnicas, materiais e conteúdos completamente diferentes, nomeadamente com “o processo, corpos inacabados, existem vazios, silêncios, uma espécie de espera”, salienta a docente da Universidade dos Açores.

“Dessa heterogeneidade resulta um encontro muito feliz, que nos permite descobrir a força, no sentido da vida e continuar a acreditar na promessa, de nós podermos dar sentido e nova vida à vida”, interpreta Leonor Sampaio da Silva.

O desafio foi logo aceite por parte do artista lagoense Victor Almeida porque “sou muito amigo do Tomaz e do Urbano” apesar de ter tido “pena por não poder ter tido tempo para trabalhar coisas novas, são peças privadas de 2005, 2008” .

Segundo o artista, a inspiração vem “quando tenho tempo, espaço para pintar depois é que vem a inspiração”, sendo que são peças inspiradas no trabalho de Miguel Ângelo.

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Para Urbano Resendes, esta exposição faz todo o sentido, sendo amigo do Tomaz Borba Vieira “há muito anos”, é alguém “de quem gostamos e admiramos muito” e assim decidiram integrar o Tomaz na exposição e homenagear o patrono da Biblioteca, primeiramente incluindo-o no título da exposição “Três Pintores” mas também inserindo uma frase do professor na própria exposição.

As esculturas de Urbano têm uma forte relação com o livro e isso é evidenciado nas suas obras quando “o livro é o próprio objeto da pintura”, criando relevo “até ao ponto delas criarem de forma tal que passam a ser mais esculturas do que pinturas”.

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Finalmente para o patrono da Biblioteca, Tomaz Borba Vieira, este “é um grande dia porque está associado a uma grande exposição”.

“A cultura lagoense está evidente em permanentes atividades tanto aqui na Biblioteca, como no cinema, na Câmara Municipal com as palestras, de acontecimentos e exposições portanto tem já um currículo da atividade cultural que já permite ser considerada uma Cidade de cultura internacionalmente”, disse Tomaz Borba Vieira ao Diário da Lagoa.

“Uma pessoa que saiba de literatura não pode, de maneira nenhuma, dizer que não sabe distinguir uma boa pintura de uma má pintura. Uma pessoa que saiba e sinta pintura não pode ouvir musica má e julgar que é boa. Há uma unidade, uma coesão, uma ligação entre a qualidade estética, que é comum a todos os média. E a emoção estética é exatamente a mesma perante um bom quadro, um bom poema”, frase de Tomaz Borba Vieira, inserida na Exposição “Três Pintores”.

DL/AS

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