“A Baleação e o Estado Novo”, menção honrosa do Prémio Daniel de Sá 2014, lançado no Pico, Faial e S. Miguel

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A Secretaria Regional da Educação e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, promove durante a próxima semana a realização de três sessões de lançamento do livro “A Baleação e o Estado Novo. Industrialização e Organização Corporativa (1937-1958)”, da autoria de Francisco Henriques, obra distinguida com uma Menção Honrosa do Prémio de Humanidades Daniel de Sá 2014.

As sessões terão lugar terça-feira, 20 de setembro, no Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico, pelas 21h30, no dia seguinte, pelas 18h30, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, na Horta, e sexta-feira, 23 de setembro, pelas 20h30, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

No Pico, a apresentação estará a cargo de Manuel Costa Júnior, enquanto, no Faial, será da responsabilidade de Filipe Porteiro e, em S. Miguel, será constituída por uma conversa informal entre o autor e o público sobre a obra premiada.

O livro “A Baleação e o Estado Novo” resulta da dissertação de mestrado em História Contemporânea, defendida em 2014, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a orientação dos professores Fernanda Rollo e Álvaro Garrido.

O principal objeto de estudo é a longa transformação da ‘caça à baleia’ durante as décadas centrais do século XX, transitando de uma atividade artesanal para um modelo de organização industrial.

Partindo da definição da baleação como uma “indústria-relíquia” – tal como a caraterizou Robert Clarke, em 1953 – procura-se discutir as causas e efeitos do processo de industrialização, salientando a evolução dos mercados internacionais do óleo de cachalote durante a II Guerra Mundial, a iniciativa empresarial que levou à constituição das empresas industriais e a expansão da indústria ao arquipélago da Madeira e ao continente.

Neste contexto, o principal enfoque recai sobre as relações entre a iniciativa privada e as estruturas administrativas do Estado Novo que, enquanto regime autoritário e intervencionista, dispôs de dois instrumentos que influenciaram decisivamente o rumo da indústria baleeira, nomeadamente o condicionamento industrial e a organização corporativa, sobretudo a partir da criação do Grémio de Armadores da Pesca da Baleia, em 1945.

O estudo pretende ser uma contribuição inovadora não só para a história da baleação, mas também para compreender as formas de implantação social do regime salazarista no território insular, destacando-se, em concreto, o papel das instituições corporativas como espaço de arbitragem de interesses e concessão de privilégios aos principais atores do processo de industrialização.

A obra explora também fontes documentais até agora desconhecidas, como a documentação ‘baleeira’ no arquivo da Direção-Geral dos Recursos Marinhos, em Lisboa, bem como os arquivos empresariais das Armações Baleeiras Reunidas (Pico) e da União das Armações Baleeiras de São Miguel Lda.

Francisco Henriques, que nasceu em Lisboa em 1986, é licenciado em História pela Universidade da Cantábria, em Espanha, e mestre em História Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa.

O autor, que é investigador integrado do Instituto de História Contemporânea, atualmente é aluno do Programa Interuniversitário de Doutoramento em História com uma bolsa concedida pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e está a realizar um projeto de doutoramento sobre o desenvolvimento da indústria de conservas de peixe e o intervencionismo económico e social em Portugal durante o período do Estado Novo.

Entre 2011 e 2013, colaborou com o Observatório do Mar dos Açores, no âmbito do programa Estagiar L, com atividades dedicadas ao património e à história recente da baleação costeira no arquipélago.

DL/Gacs

Categorias: Cultura

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