Opinião: Mãos Largas, resultados curtos

Rui Menezes cronicas Jornal Diario da LAaoa

O presidente do Governo Regional dos Açores recusa que atribuam ao seu governo o título de “um mãos largas”.

Na verdade, sempre que aparecem estatísticas menos favoráveis em alguma atividade ou variável económica, nos Açores, o governo rapidamente apressa-se a criar um programa de apoio recheado de dinheiro para distribuir por aqueles que são os lesados da sua deficiente governação.

Mas afinal, não deveria o governo estar contente por os Açorianos o catalogarem de “mãos largas”? Agora que se aproximam as legislativas regionais, esta crítica não é positiva para quem pretende ganhar as eleições? Então por que razão o governo não quer ser reconhecido como um implacável distribuidor de dinheiros públicos na região.

O problema parece residir noutra questão. Nos resultados.

De facto, a quantidade nem sempre é sinónimo de qualidade. O Governo Regional dos Açores sabe que desperdiça milhões de euros, injetando-os de diversas formas na sociedade, mas não consegue resolver os problemas dos Açorianos, nem no presente, nem para o futuro.

Os resultados ficam sempre muito aquém daquilo que seria de se esperar, dado o volume de dinheiro envolvido.

A questão que se coloca também, é saber se ao fim de quase 20 anos de governação socialista, este governo ainda não aprendeu como se faz, ou se a falta de resultados, é propositada.

De facto, quanto mais dependente do Governo Regional, estiver a sociedade civil, mais facilmente é manobrada e chantageada, o que dá muito jeito, para obter bons resultados eleitorais.

No emprego, é o que se vê. Milhões de euros para programas de emprego e os Açores continuam com uma elevadíssima taxa de desemprego, muito dele jovem.

Claro que as pessoas ficam muito agradecidas ao governo, pelos programas de emprego, pois sempre levam um salário no final do mês. Mas tanto os jovens, como os adultos quando terminam os programas de emprego, ficam desempregados.

Isso porquê? Porque é preciso investir na economia da nossa região. É preciso investir nas nossas empresas. Essas é que são geradoras de empregos duradoiros.

Não é fechando as pessoas em armazéns, para não serem vistas sem trabalhar e pagando o salário, que vão resolver o problema do desemprego. Para as estatísticas dá resultado, mas para os Açores, o problema do desemprego vai manter-se.

Na educação, outro falhanço. Mas dinheiro não falta. Fizeram-se autênticos “Palácios da Educação” por estes Açores e os alunos continuam a ter dos piores resultados escolares do país, para além de um elevado nível de abandono escolar.

Mais uma vez o dinheiro não resolve tudo, pois o problema da educação e do sucesso escolar resolver-se com a colaboração dos pais, alunos e professores e não com obras de construção civil.

Na saúde igualmente. Temos excelentes edifícios hospitalares, temos uma parceria público privada, no hospital de Angra do Heroísmo, que custa à região milhões de euros anualmente. Mas as pessoas continuam anos à espera de uma cirurgia e de um médico de família. Enquanto isso, o governo vai substituindo os conselhos de administração dos hospitais, para fazer esquecer a sua própria incapacidade de gestão nesta matéria. Mais uma vez o dinheiro não faz tudo.

Por último falemos das empresas do sector público empresarial regional, que é outro bom exemplo de como se gastam milhões e não se obtém resultados.

Essas empresas estão sobre-endividadas, não conseguem resultados positivos e não conseguem mais crédito, se não tiverem avales e cartas conforto do Governo Regional.

São cerca de 1,9 mil milhões de euros de dívida a juntar à dívida da Região que espelha bem o quanto mãos largas este governo é.

É preciso aprender a fazer mais com menos, mas o atual governo regional, não é capaz de o fazer, pois está habituado a trabalhar com milhões e não liga aos tostões.

Talvez o processo da entrada das companhias low cost, nos Açores, pudessem ser um bom exemplo, para este governo regional, de como se faz. O GRA, que sempre preferiu alimentar a endividada SATA, em vez de permitir a entrada dessas companhias, agora vê o resultado que esta alteração criou nos Açores e está a ter na dinamização da economia, nomeadamente no sector do turismo, onde o governo também nunca acertou o passo.

É um sinal, que é possível fazer muito com poucos recursos, haja inteligência.

Por Rui Meneses
Crónica na edição Impressa de maio de 2016

Categorias: Opinião

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