Freguesia da Ribeira Chã assinala meio século de vida

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No âmbito do aniversário da Freguesia da Ribeira Chã, o Jornal Diário da Lagoa esteve à conversa com a presidente da junta, Victória Couto.

– A freguesia da Ribeira Chã assinala em maio próximo o seu 50.º aniversário. O que está programado para as comemorações desta data?
Para assinalar o quinquagésimo aniversário da freguesia da Ribeira Chã está programado um conjunto de atividades culturais e desportivas para envolver toda a comunidade.

No dia 5 de maio, os idosos irão realizar um passeio até às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres e, no dia 7 de maio, participarão no VIII Encontro de Idosos, na EBI da Maia.

No dia 8 de maio, iniciaremos o II Torneio de Futsal na freguesia. No dia da abertura contaremos com a atuação do grupo de tambores da Associação UnoJovens, pelas 19h45. Este torneio é sempre muito aguardado pela população local, porque traz dinâmica à freguesia. Ao longo do mês de maio decorrerão muitos jogos, culminando na grande final com a entrega das taças.

No dia 18 de maio, assinalaremos o dia de elevação a freguesia com uma salva de foguetes, pela alvorada. Neste mesmo dia, pelas 19h30, teremos um desfile de fanfarras pelas principais ruas da freguesia, por vários grupos de escuteiros. Pelas 20h30, haverá a abertura da exposição fotográfica intitulada “50 anos, 50 fotos”. Esta exposição será de muito interesse, porque condensa a história da freguesia, desde a sua criação, como pequena localidade, até aos dias de hoje, como freguesia. Para a população idosa será um reviver de outros tempos, recordar pessoas e momentos vividos. Para os mais novos será um conhecimento da história do passado de uma freguesia, da qual fazem parte.

Mais tarde, acontecerá uma sessão solene comemorativa do quinquagésimo aniversário da elevação da Ribeira Chã a freguesia. Nesta sessão homenagearemos os antigos presidentes de junta, José Lourenço, Eduardo Sousa, Germano Couto, João Galego e Albertina Oliveira, o Centro Paroquial e Social da Ribeira Chã, o Padre João Caetano Flores e o Sr.º Manuel Clemente de Almeida. Todas estas pessoas e instituições dedicaram grande parte do seu trabalho em prol da freguesia. Daí que achámos pertinente homenageá-las neste aniversário tão importante para a história da nossa freguesia. Terminaremos o dia com um verdelho de honra e com a atuação do grupo “Violas da Terra”.

No dia 21 de maio, pelas 17h, decorrerá uma aula de zumba gratuita no polidesportivo da Ribeira Chã, com as instrutoras Carmélia Novo e Patrícia Sousa. A aula terminará com um pequeno refresco para todas as participantes, permitindo o convívio e a boa disposição.

O Exmo. Reverendo Padre João Furtado, no dia 29 de maio, pelas 12h30, irá celebrar uma missa, na Igreja Paroquial de São José, em memória dos Presidentes de Junta de Freguesia, Assembleia de Freguesia e trabalhadores da Junta de Freguesia já falecidos. No dia 4 de junho, pelas 9h, vai realizar-se um trilho pedestre, cujo percurso será Água D’Alto – Ribeira Chã. Este trilho terminará no Centro Comunitário Padre João Caetano Flores com a degustação de papas de serpentina e chá de poejo.

As festividades terminarão no dia 5 de junho com a comemoração do Dia de Criança. Neste dia, haverá pinturas faciais, pedal karts, insufláveis, animais eletrónicos e modelagem de balões para todas as crianças da freguesia.

Sente-se com um sentimento especial de estar à frente da junta de freguesia nesta comemoração?
Sim, porque é um marco temporal com grande relevância para a história da freguesia, a celebração das bodas de ouro. É um enorme orgulho, enquanto Presidente de Junta, estar à frente dos desígnios desta freguesia e poder contribuir para a sua afirmação. São cinquenta anos de uma caminhada feita de trabalho e persistência, de sonhos e anseios. Foi, essencialmente, a força da alma dos habitantes da Ribeira Chã que fez com que, em 18 de maio de 1966, a Ribeira Chã conquistasse o estatuto de freguesia.

Ao longo destes anos, várias foram as pessoas e entidades que auxiliaram no projeto de promoção da freguesia e que contribuíram para o melhoramento das condições de vida da população, tornando-a num espaço de vida apetecível e aprazível.

– O que tem a Ribeira Chã para oferecer a quem a visita?
A Ribeira Chã é uma freguesia pequena com 2,52 km2 de área e cerca de 396 habitantes. Com uma paisagem singular e peculiar, esta freguesia confronta com o mar e com as freguesias de Água de Pau e Água D’Alto. Apresenta um rico património arquitetónico, uma típica gastronomia e diversos núcleos museológicos. É uma terra conhecida pelo seu característico artesanato, nomeadamente bonecas de folha de milho e mantas de retalhos.

Salienta-se, ainda, a simpatia e a amabilidade das suas gentes. É bem evidenciada a religiosidade do povo e as suas vivências rurais, o que lhes dá a capacidade de celebrar bonitas festividades, sendo a mais importante a do Santíssimo Sacramento, e alegres convívios sociais.

Na freguesia, os visitantes podem disfrutar de uma visita aos núcleos museológicos, Museu de Arte Sacra e Etnografia, onde se pode contemplar peças de grande valor histórico e artístico, Casa Museu Maria dos Anjos Melo, típica casa micaelense, e o Quintal Etnográfico e de Endemismo Açórico.

Até há pouco tempo, a freguesia possuía um trilho pedestre com extensão de 8,4 Km, que era percorrido numa caminhada com a duração de, aproximadamente, três horas e com um grau de dificuldade médio, mas foi fechado aquando a construção das SCUTS. Considerando o interesse da população e a promoção de um turismo de natureza, partindo da freguesia, a Junta de Freguesia e o Governo Regional dos Açores estão a unir esforços para que este trilho seja reaberto.

– Na Ribeira Chã, quais são os principais desafios com que se confronta a edilidade?
Diariamente, o nosso desafio é o de gerir o nosso orçamento e fazê-lo render, ao longo do ano, para todas as nossas atividades. Este sim é um grande desafio. Fazer tudo, com tão pouco. Apesar de sermos uma freguesia pequena, temos as mesmas necessidades do que qualquer outra freguesia.

Mas, ao longo destes três anos, a Junta de Freguesia, tem-se demonstrado dinâmica e atenta às preocupações/necessidades da freguesia. Realizamos, diversas atividades, para todas as faixas etárias, apoiamos instituições e projetos, investimos nas pessoas, com postos de trabalho e apostamos em cartazes culturais atrativos, como o Festival da Malassada e as Grandes Noites do Fado, que permitem a projeção da freguesia, atraindo cada vez mais visitantes.

– Falta mais de um ano para terminar este mandato como presidente de junta. Do que se comprometeu, o que já foi feito e o que falta concretizar? Será concretizado até final do mandato?
Ao longo deste mandato, realizamos muitos dos nossos compromissos, nomeadamente nas áreas da cultura e do desporto e no âmbito social. Contudo, por mais façamos há sempre coisas por fazer.

Esta é a primeira vez que estou na liderança de uma junta de freguesia e, no início, tive que inteirar-me de muitas situações. Foi uma fase de adaptação e de conhecimento. Neste momento, estou mais confiante e determinada nas minhas opções e compromissos.

Até ao final do mandato tentaremos executar todos os nossos projetos.

– Como vê o crescimento desta freguesia, tendo em conta que também está no limite do concelho e está um pouco afastada?
Enquanto presidente de junta, tenho verificado, ao longo destes anos, uma diminuição no crescimento da freguesia, em termos populacionais. Isto não se deve à localização da freguesia, mas sim à falta de habitações que permitam a fixação dos casais. A situação que se verifica na freguesia é contraditória, isto porque existem muitas moradias, mas estão fechadas, e pertencem a emigrantes. Estes, não pretendem vendê-las, nem desfazer-se delas. O mesmo acontece com os terrenos existentes. As melhores propriedades para a habitação pertencem a emigrantes que não querem vender, impossibilitando, assim, o crescimento da freguesia e tornando-a cada vez mais envelhecida.

Isto é preocupante. Daí que solicitei à Presidente da Câmara de Lagoa, uma visita à freguesia para dar parecer sobre um conjunto de terrenos que foram assinalados pelo executivo da junta, a 13 de outubro de 2015, como sendo apropriados para a construção.

A 23 de março, o executivo camarário deslocou-se à freguesia e em conjunto analisámos vários terrenos, com boas hipóteses de construção. Neste momento, a Câmara Municipal de Lagoa está a preparar o processo para disponibilizar dois loteamentos na freguesia, que no seu conjunto corresponderão a seis lotes para casais jovens da freguesia. Estão a decorrer os trabalhos de levantamento topográfico para acertos das áreas dos lotes.

-Por ser uma freguesia que está mais distante do restante concelho, julga que acaba por perder notoriedade?
Julgo que não! A localização de uma freguesia não é um fator que determina o ganho ou a perda de notoriedade. Os ganhos de notoriedade de uma freguesia aparecem pelo trabalho que lá é feito com o objetivo de a promover. E, neste aspeto, reitero que todo o trabalho desenvolvido pela junta se orientou no sentido de tornar a Ribeira Chã uma freguesia, não apenas mais conhecida, mas também mais visitada. Refiro, a título de exemplo, dois eventos da freguesia, Festival da Malassada e as Grandes Noites de Fados, que, anualmente, trazem à freguesia muitas centenas de visitantes.

– O que gostaria que fosse feito na Ribeira Chã?
Gostaria que o processo do loteamento, para os casais jovens, se iniciasse o mais breve possível.

-No próximo ano decorrerão as eleições autárquicas. Irá recandidatar-se?
Ainda não pensei no assunto. Falta mais um ano para terminar o meu mandato e quero terminá-lo bem.

DL

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