Colóquio debateu problema da solidão

Liosn Clube Solidão coloquio

“Voluntariado versus solidão: um bom caminho…” foi o tema tratado pelo bispo Coadjutor da Diocese de Angra, Dom João Lavrador, no âmbito de um diálogo participativo e sessão pública, organizado pelo Lions Clube de Lagoa, com o tema “Os Desafios da Solidão” .

O bispo Coadjutor afirmou ser um “assunto muito profundo e abrangente” com dupla direção: o silêncio “benéfico”, necessário para os “crentes”, e o silêncio “maléfico” e forçado.

Dom João justificou a sua intervenção relembrando palavras do Papa Francisco: “a união é superior ao conflito” e os “laços de solidariedade” fundamentais para combater a solidão.

Uma das frases bíblicas mais evidenciada e citada por vários palestrantes nesta sessão publica, que demonstra a importância deste tem,a foi: “não é bom que o Homem esteja só”.

O jornalista, José Manuel Santos Narciso, foi também um dos oradores desta sessão publica, que teve casa cheia, no Convento dos Franciscanos em Santa Cruz, na Lagoa. A sua intervenção teve como tema “terceira idade: um ciclo de novos medos”, onde demonstrou que a solidão tanto pode ser “histórica” como “psicológica” e que o verdadeiro problema é a não “aceitação da nossa condição de mortais”.

Santos Narciso apontou dois medos: o do envelhecimento biológico e o envelhecimento psicológico.

Segundo disse, estes passam pela “aceitação da morte, a própria e a da alheia”. Apontou ainda para a importância do Estado neste tema, sendo “o grande potenciador do medo dos idosos” e demonstrou
que o grande passo para combater a solidão é “o amor”.

“ A solidão e o bullying: o que se esconde atrás do silencio”, foi a problemática abordada pela professora catedrática de Psicologia, Maria Teresa Pires de Medeiros, onde afirmou que “vivemos numa sociedade ‘fria’ e ‘calculista’ onde é fácil nos sentirmos ‘sós’ e ‘invisíveis socialmente’. Segundo a palestrante, a solução encontra-se ‘no amor’ como uma ‘necessidade primaria’.

Concluiu o seu pensamento com uma pergunta pertinente “e Nos?”, a nossa responsabilidade pessoal e cívica, onde muitas vezes “somos observadores passivos” da solidão.

Zita Seabra Roseiro, escritora, demonstrou “a importância da afetiva”, onde o paradigma na nossa sociedade atual esta desprovido de valores. Sociedade esta que cria “os novos divorciados, os novos abandonados” pois a estabilidade profissional e a felicidade pessoal superam a união do amor. Tomou como referencia a historia de Johnson Smith, que se salvou de uma vida de vícios e solidão graças ao “afeto” que sempre recebeu da mãe.

Por outro lado, o conhecimento “de si mesmo”, a importância da “dependência dos outros” e a necessidade de fazer algo para “acabar com a solidão própria e dos outros”, foram os três esquemas apontados Artur Cunha de Oliveira.

O Presidente do Lions Clube de Lagoa, José Manuel Baião, lembrou o quanto este tema ganha importância na nossa sociedade atual e acrescentou que o objetivo final será pensarmos “no que podemos nós fazer para tornar a solidão menos difícil”.

Já a Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Cristina Calisto Decq Mota, salientou que “é urgente identificar os problemas, mas também as soluções” sendo a solidão “uma luta pela defesa do bem comum” e cabe à sociedade e à comunidade ter “sensibilidade” para perceber essa solidão.

Na sessão de encerramento, a Secretária Regional da Solidariedade Social, Andreia Cardoso, afirmou, que a implementação de políticas sociais é “determinante” no combate à solidão, salientando que esta tem sido uma preocupação central na ação do Governo dos Açores.

DL/AS

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