Nas entrelinhas de BP

CNE Santa Cruz_jan15

Robert Stephenson Smith Baden-Powell, fundador do escotismo, antes de morrer, deixa uma última mensagem a todos os escuteiros.

Nós, escuteiros, fora o dever que temos de ler essa mensagem, também temos a obrigação de ler os horizontes para além das palavras ditas por BP.

O nosso fundador começa por falar de uma peça tão conhecida, a peça do Peter Pan e destaca o exemplo do chefe dos piratas. Este deixa, todos os dias, uma mensagem como se fosse morrer no dia seguinte.

Agora digam-me: nós, como pessoas que somos, devemos seguir esse exemplo? De que nos serve tal atitude?

De facto, viver os dias como se fossem os últimos, faz de nós pessoas mais felizes e realizadas. Devemos vivê-los com descontração, porque a vida não deve ser levada tão a sério. É preciso sorrir, viver, relaxar, aproveitar tudo. É preciso amarrarmo-nos a uma meta, a um objetivo. E é isso que BP quer de nós. Quer que sejamos felizes e que vejamos que a nossa vida é feita de escolhas, essas que nos levarão a alcançar fins que nos pareciam inalcançáveis.

Num ponto mais à frente, Baden-Powell diz: Contentai-vos com o que tendes e tirai dele o maior proveito que puderdes. Vede sempre o lado melhor das coisas e não o pior.

Apesar dos tempos que correm, sejamos sinceros, é rara a pessoa que se contenta com aquilo que tem. Se o almoço de hoje é peixe, eu quero comer carne. Se o jantar de hoje é carne, eu quero comer peixe. Se me apetece vestir um vestido amarelo, eu visto… Contudo, ainda não é esse vestido amarelo que eu quero…

A sociedade de hoje em dia vê em tudo aspetos negativos. Não tira proveito de nada. Todos precisamos passar por situações mais extremas para ver o quanto custa a vida. Não pensamos, antes de falar… Não pensamos, antes de fazer… Até pelo contrário, pensamos nas coisas quando essas são para o nosso próprio proveito. Será isso que BP quer de nós? Será esse o ideal?

BP quer que sejamos racionais, exigentes connosco próprios, sábios e firmes nas nossas decisões. Quer que construamos um futuro no seu protótipo. Quer de nós, homens e mulheres, com planos para o amanhã, sem esquecer que o dia de hoje deve ter o maior proveito possível.
Por fim, na célebre frase de Baden-Powell – O melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. – este lança-nos um desafio: sejamos melhores pessoas e saibamos perdoar. Consigamos ver no nosso próximo, aquilo que não conseguimos ver em nós. Façamos da felicidade dele, a nossa felicidade.

E, é aqui que fica o meu estímulo para a vossa reflexão: Será que somos pessoas e escuteiros capazes de ler as entrelinhas de BP?

Aspirante a Caminheira: Margarida Vieira Silva
Agrupamento de Escuteiros 1290 de Santa Cruz – Lagoa

(Matéria publicada na edição impressa de janeiro de 2016.)

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