Fátima Varão, a única mulher bonecreira na Lagoa

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Nos Açores, a produção de bonecos em barro para o presépio começou no século XIX, sendo esta uma tradição do concelho de Lagoa, São Miguel, e que se mantém até aos dias de hoje.

Num concelho onde já foram muitos os bonecreiros, inscritos atualmente estão apenas dois, sendo um deles é Fátima Varão, a única mulher que se dedica a esta arte na Lagoa.

Uma arte que aprendeu com o seu já falecido marido, ainda nova.

Segundo conta ao Jornal Diário da Lagoa, aprendeu sentada ao lado dele, foi adquirindo o gosto e foi aperfeiçoando a sua técnica.

Há quase quarenta anos que se dedica a esta arte e destaca que “um boneco para ficar como deve de ser, leva muito tempo”.

Fátima Varão lembra o momento em que fez o seu primeiro boneco de barro, que acabou por não correr bem, acabou por partir o molde. Em resposta após o sucedido disse na altura que “atrás deste muitos virão” e assim foi.

Depois do seu marido falecer, acabou por dar continuidade a este trabalho minucioso com amor e dedicação.

As formas dos bonecos foram todas feitas pelo seu marido, sendo que, quando se dedicou aos bonecos mais pequenos, para o presépio de lapinha, é que fez os moldes. Todos eles em gesso.

Fátima Varão recorda, ao longo da entrevista, o dia em que tudo começou mais a sério, com a venda dos bonecos.

Foi por altura das Festas de Nossa Senhora do Rosário, em que era preciso enfeitar o Carro de Oferendas, e as ideias já escasseavam, pois ano após ano, era preciso inovar. Foi então que se lembrou de levar alguns bonecos feitos para a a oferenda e, durante o cortejo, ir fazendo os tradicionais bonecos de presépio. E assim foi. O sucesso foi tal que nunca mais parou até hoje.

São bonecos para praticamente todas as situações, e mais vão surgindo conforme as solicitações. Pescadores, figuras de folclore, romeiros, Igreja, foliões, nascimentos, animais, fontanários, etc, etc…

A bonecreira reforça que este é um trabalho composto por várias fases. “Um boneco não fica feito de uma para a outra”.

Todo o trabalho é feito em sua casa, à exceção da cozedura do barro que é feito num forno adquirido pela autarquia e que serve de apoio aos artesãos locais.

Fátima Varão tem passado também por algumas escolas da ilha, para mostrar como se faz os bonecos em barro. Também já esteve nos EUA para mostrar esta arte secular.

Nesta entrevista, é fácil perceber que Fátima Varão gostaria de ver a continuidade do seu trabalho, mas é algo que não tem a certeza pois, na sua família, ninguém demonstra o interesse em continuar com esta arte, pelo menos para já.

Mas uma coisa é certa, irá continuar, enquanto puder, a fazer os seus bonecos.

Reconhece que já se vendeu mais bonecos de presépio do que se vende atualmente, mesmo assim, a sua arte está espalhada por vários países, desde Brasil, Itália, França, Espanha, EUA, Canadá, entre outros.

DL

Categorias: Cultura, Local

Comentários

  1. Sidonio Leça Gonçalves
    Sidonio Leça Gonçalves 28 Novembro, 2016, 08:55

    Bom dia

    Quero fazer uma encomenda de bonecos a Senhora Fatima Varao como posso eu contacta la ??

    Vivo em Franca

    Obriaga

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