Opinião: Francisco o Comunicador

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Quando penso no Papa Francisco, surge-me de imediato: o comunicador. Numa palavra, esta é a grande novidade do Papa que veio do fim do mundo.

Muito se tem falado das palavras e gestos de Francisco como uma lufada de ar fresco para uma sociedade e Igreja que, muitas vezes, respira o ar saturado pela indiferença e pelo relativismo, mas o que há de novo neste Papa, se não a maneira de comunicar as palavras e gestos milenares de Jesus Cristo?

Reduzir aquele que no último ano tem cativado, crente e não crentes, a uma capacidade extraordinária de comunicar, pode parecer uma heresia, mas não é. Na verdade, o que se pode dizer melhor dum cristão, ainda que seja o Papa, do que ser capaz de encarnar e anunciar a boa nova do Evangelho?

A opção pelos pobres, a atenção que nos recomenda às «periferias», a denúncia da hipocrisia de uma Igreja ritualista e de aparências é puro Evangelho que é Jesus Cristo, mas que a Igreja tem tido dificuldade em torna-lo numa linguagem de e para hoje e Francisco faz como poucos ao longo da História da Igreja. A sua simplicidade em viver e comunicar o Evangelho remete-nos para o essencial da vida cristã que o amor a Deus que passa necessariamente pelo próximo.

Haverá maior prova de que ele sabe ouvir e falar aos homens e mulheres deste tempo do que a sua escolha em colocar as feridas abertas de muitas famílias de hoje como tema do próximo sínodo dos bispos? O Papa não escolheu um tema distante das pessoas, mas o central e mais significativo para as suas vidas.

Outro sinal desta capacidade de diálogo com a Igreja e com o mundo, é o fato de ele ter anunciado que 2015 será um ano dedicado á vida consagrada. Perante a enorme crise de vocações consagradas na Europa e a insatisfação de muitos com a vida agitada, corrida e muitas vezes vazia de sentido, Francisco desafia-nos a olhar para uma opção de vida radicalmente diferente.

Alegra-me muito que o Papa Francisco tenha ousadia de comunicar o essencial da vida em Cristo, para dentro e para fora da Igreja.

Interpela-me sempre sua determinação em falar ao coração dos Homens deste tempo. Porque quem fala ao coração deste modo, em verdade, cria em nós oportunidades de sermos melhores pessoas e cristãos… tal como Jesus, o eterno comunicador.

03.2014

Pe. Nuno Maiato

Categorias: Opinião

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