Ribeira Chã é uma freguesia com história de progresso

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Victória Couto é presidente da Junta de Freguesia da Ribeira Chã, uma das cinco do concelho de Lagoa. Trata-se de uma freguesia rural com cerca de 400 habitantes. O seu desenvolvimento ganhou grande dinamismo a partir da década de 1960, em boa parte por influência do Pe. João Caetano Flores, com a elevação a freguesia, a construção de uma moderna igreja, a criação de um invejável núcleo museológico e o aparecimento de diversas instituições, entre elas um jardim-de-infância pioneiro na educação pré-escolar na ilha de São Miguel. Eleita em 2013, Vitória Couto falou ao jornal Diário da Lagoa sobre o presente e futuro desta freguesia que considera ser uma freguesia especial.

DL: Que balanço faz deste ano de mandato?
VC: Este primeiro ano de mandato foi positivo. Contudo, há sempre momentos mais difíceis do que outros. Nestes momentos o melhor é pensar, refletir e resolver sempre da melhor forma. Acredito que no futuro todas estas situações poderão ser resolvidas com maior facilidade e farão de mim uma pessoa mais forte e capaz de lidar com qualquer situação.

DL: A Freguesia da Ribeira Chã, por ser a mais pequena do concelho, é uma freguesia especial?
VC: A freguesia da Ribeira Chã é sem dúvida uma freguesia muito especial para mim e para todos os que cá habitam. Posso afirmar que a Ribeira Chã sendo tão pequena tem uma história de progresso, com o qual se conseguiu afirmar, e que foi conseguido à custa de muita dedicação e trabalho de toda a comunidade. Este é o principal segredo desta freguesia.

DL: O que tem a freguesia para oferecer a quem a visita?
VC: A freguesia está situada perto do mar e também fica próxima da serra. Prima pela limpeza das suas ruas, algumas delas ladeadas por verduras e flores, e ainda pelas suas casas pitorescas. Tem uma população com pessoas simples, mas acolhedoras.
Em termos de património natural, toda a freguesia é de grande beleza, destacando-se o Miradouro e os Merendários do Pisão.
Destaca-se igualmente o Trilho Pedestre, com 8,4 km de extensão, com a duração de 3 horas e com ponto de partida e chegada junto da Igreja Paroquial da Ribeira Chã. Os apreciadores desta atividade poderão apreciar diversos tipos de fauna e flora.
A Ribeira Chã é terra recatada que faz valer as suas tradições e tira partido do seu património natural e arquitetónico.
A nível arquitetónico, temos a Igreja Paroquial de S. José, onde realço a sua traça contemporânea, a Via Sacra e os seus Painéis do Altar-mor. Esta freguesia possui, ainda, vários Núcleos Museológicos, dos quais destaco o Museu de Arte Sacra e Etnografia. Este é o mais importante e nele podemos observar peças de grande valor histórico e artístico que atestam um passado de grande riqueza a nível cultural e religioso.
A freguesia possui também um Quintal Etnográfico que se encontra divido em diversas secções: o Jardim dos Endemismos Açóricos, onde se pode observar diversas plantas utilizadas na medicina popular dos Açores; o Museu Agrícola, com utensílios ligados à Cultura do Pastel, cujo local de produção era o sítio do Pisão, onde pessoas de toda a ilha aqui vinham moer ou “pisar” o pastel; o Museu do Vinho, que dá a conhecer os utensílios utilizados na elaboração e conservação do vinho, um produto que até há poucos anos tinha grande relevância na economia familiar dos habitantes da freguesia; a “Casa dos Presépios”, onde se pode observar vários presépios construídos com diferentes materiais, por artesãos da freguesia.
Ainda na freguesia encontramos a Casa Museu de Maria dos Anjos Melo. Esta casa é o modelo de um ambiente doméstico micaelense com a típica cozinha, o sótão e o quarto de dormir.
É de referir que estes Núcleos Museológicos são muito visitados por escolas que, em visitas de estudo, se deslocam à freguesia no âmbito da área disciplinar de Estudo do Meio, e têm como objetivo proporcionarem aos alunos um conhecimento de costumes e tradições da sua localidade.

DL: O que está em falta nesta freguesia?
VC: O que a freguesia mais precisa é de um loteamento, que permita a fixação dos jovens. Isto, porque quem nasceu aqui não pretende sair, mas com a falta de opções habitacionais são forçados a abandonar a freguesia.
A freguesia possuía um Jardim de Infância e uma escola do 1º Ciclo, mas, devido a reestruturações por parte do governo, ambas as instituições foram encerradas em 2013, havendo, por este motivo, uma grande indignação por parte da população local, porque a freguesia encontra-se cada vez isolada.
Seria importante que, por parte das entidades competentes, esta situação fosse reapreciada pois ela é muito pouco favorável, não apenas para as crianças, como para a freguesia, em geral. Começando pelo transporte, que é feito pela Junta de Freguesia e pela Casa do Povo de Povo de Água de Pau, refira-se que o transporte do primeiro grupo de crianças é feito às 8h da manhã, o que implica que estas crianças tenham de esperar uma hora pelo início das aulas. As crianças que não vão no primeiro transporte têm também um grande período de espera na paragem do autocarro, muitas vezes com condições climatéricas muito adversas, para crianças entre os 5 e os 9 anos. Para além desta situação, há outra também muito desagradável que é o desenraizamento da criança relativamente ao seu meio envolvente, aos familiares mais próximos e à comunidade da sua freguesia. A este propósito, a própria comunidade refere que se sente envelhecida e triste com a saída das crianças da freguesia. Confessam as pessoas, principalmente as mais idosas, que a falta da alegria crianças, do seu riso, da sua energia e até das suas traquinices tornam a freguesia sem cor e sem alegria.

DL: A Junta costuma ser solicitada pelos habitantes para tentar resolver alguns problemas?
VC: Sim, algumas vezes, nomeadamente para a reabilitação de algumas habitações e para a resolução de problemas do dia-a-dia.

DL: Estes tempos de dificuldade, tem deixado preocupação no elenco da junta?
VC: Algumas vezes, no entanto o elenco da junta é muito competente. Ao longo do ano, vamos delineando estratégias e trabalhando em prol dos nossos objetivos e dos recursos que podemos utilizar para os atingir.
Somos uma equipa organizada e motivada.

DL: Que atividades ao longo do ano realiza a junta para dinamizar esta pacata freguesia?
VC: Ao longo, do ano desenvolvemos várias atividades, tais como: O Festival da Malassada; As Comemorações de Elevação a Freguesia, durante todo o mês de maio; O dia Mundial da Criança, preenchido com música, teatro, pintura, e pula-pulas; A Grande Noite de Fados, no mês de setembro; O dia do Idoso; A elaboração de um presépio tradicional, que cada vez mais atrai visitantes do concelho.

DL: O que gostava de realizar em breve na Ribeira Chã?
VC: No verão, gostaria de realizar a semana da juventude. Esta semana seria preenchida com atividades diurnas, nomeadamente de expressão plástica e motora, e as noites seriam dedicadas à música e a torneios de futebol.

DL

(Leia também na edição impressa de março)

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