Opinião: O soco que o Papa não deu!

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Ele fala e só não entende quem não quer.

Poucos dias depois do massacre sucedido em Paris, um jornalista francês, que viajava com o Papa para as Filipinas, questionou o santo Padre sobre a liberdade religiosa e os limites da liberdade de expressão.

Sem fugir ao assunto Francisco respondeu: “A liberdade religiosa e a liberdade de expressão são direitos fundamentais. Não se pode matar em nome de Deus. Matar em nome de Deus é uma aberração (…) Temos a obrigação de dizer a verdade abertamente, mas sem ofendermos. É verdade que não devemos reagir com violência, mas se o dr. Gasbarri, que é um grande amigo, ofender a minha mãe, deve estar preparado para levar um soco. É normal. Não se pode provocar, não se pode insultar a fé dos outros. Não se pode ridicularizar a religião dos outros.

Na verdade, sejamos muçulmanos ou cristãos, perante uma ofensa á nossa mãe, sentimos o instinto de responder com violência. Para uma pessoa de fé a sua religião tem rosto e coração de mãe. O mesmo acontece com quem não tem religião, mas que venera os deuses deste mundo e por isso mesmo defendem-nos como se fossem suas mães.

Apesar das religiões não estarem na moda, das suas fragilidades e erros, todas merecem respeito e não se pode ridicularizar continuamente uma religião em prol de uma libertinagem de opinião que pouco tem a ver com liberdade que para ser autêntica tem limites de expressão. Parece-me oportuno adaptar as palavras cantadas por Sara Tavares: “Sei que posso dizer tudo, mas nem tudo me convém. O que escolho dizer hoje, vou vivê-lo amanhã”.

Não é política nem socialmente correto fazer da falta de respeito, da ofensa a uma religião a questão primeira desta reflexão sobre a liberdade, mas não será esta mais universal do que alguns critérios jornalísticos provavelmente tão fundamentalistas como a resposta violenta e injustificável a uma ofensa religiosa?

Mais uma vez Francisco foi claro e assertivo. Sem perder de vista o valor da vida, os direitos fundamentais da liberdade e das religiões, desafiou-nos a humanizar a discussão, a reflexão, destes direitos com o soco que ele não deu.

Pe. Nuno Maiato

Categorias: Opinião

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