2014 em revista por João Ponte, com olhos postos em 2015

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Com o início de mais um ano, o Jornal Diário da Lagoa falou com o   Presidente do Município de Lagoa, a fim de obter-mos um balanço deste ano, que foi difícil a vários níveis. João Ponte fala igualmente do que se poderá perspetivar para este novo ano, reconhecendo dificuldades.

Findo 2014, que balanço se pode fazer num ano que ficou marcado pela dura austeridade?
João Ponte (JP): Encontramo-nos no período mais difícil do poder local democrático, por força da crise económica e social e das medidas de austeridade que têm sido impostas pelo governo da república.Entre 7 anos perdemos 6,3 milhões de euros (cerca de 900 mil euros por ano) apenas em impostos e taxas provenientes do urbanismo.
Se continuarmos com esta evolução negativa, nos próximos tempos, poderá ser colocada em causa, a sustentabilidade do poder local, que se revelará cada vez mais incapaz de responder às solicitações das suas populações, mesmo em áreas fundamentais e essenciais à qualidade de vida das mesmas. Nesse âmbito, receio mesmo um retrocesso histórico nos serviços prestados às populações.
Apesar da difícil conjuntura ainda não foi necessário desinvestir em nenhum projeto para manter o equilíbrio financeiro da autarquia.
Contudo o que marcou o ano de 2014 foi sem dúvida o desemprego, daí que a grande e forte aposta do município durante este ano austero tenha incidido na empregabilidade dos lagoenses, através de Programas, apoiados pelo Governo Regional, como forma de combater o desemprego.

(…)

A Lagoa tem-se marcado pela diferença a vários níveis. Estamos a caminhar para o terceiro aniversário de elevação a cidade. Já se vislumbram alguns benefícios desse estatuto?
JP: A elevação da Lagoa a cidade é ainda muito recente, pelo que ainda não existem benefícios evidentes desse novo estatuto.
Este é acima de tudo um título que, de momento comprova o desenvolvimento do concelho. É um estatuto que deve ser visto como o reconhecimento do nosso progresso no passado e no presente e como um desafio para o futuro.
Pese embora, é inegável que atualmente estamos perante um concelho mais desenvolvido e a elevação a cidade veio reconhecer precisamente esse progresso num passado recente.
Nos últimos anos realizaram-se obras necessárias e estruturantes no concelho que tiveram como objetivo primordial o bem-estar das pessoas, sendo que muitas delas vieram dar outra dinâmica ao concelho, bem como vieram potenciar mais emprego e mais desenvolvimento para a Lagoa.
De futuro, e depois de passada esta fase de dificuldades onde a nossa atenção deve estar focada na proteção social, estou certo que a Lagoa continuará a ter condições para crescer mais, sendo que, as prioridades para os próximos anos passam sobretudo por fomentar o desenvolvimento económico e a captação de investimentos geradores de emprego e crescimento.

Há quem diga que a Lagoa de cidade pouco tem, que faltam infraestruturas. É da mesma opinião? Há ainda um longo caminho a percorrer?
JP: Existe sempre algo que nos faz falta, designadamente algumas infraestruturas e equipamentos que garantem mais desenvolvimento e maior qualidade de vida.
Mas é verdade que nos últimos 3 anos vimos surgir na cidade o Tecnoparque, a Pousada da Juventude, o Nonagon- parque de ciência de são Miguel, e já garantimos, da nossa parte, a instalação de um hospital privado e de uma unidade de medicina nuclear também no Tecnoparque.
Os críticos deste novo estatuto de cidade estão sempre mais preocupados em ridicularizar do que em se orgulhar, independentemente da falta de equipamentos ou serviços que a Lagoa apresenta como acontece em outras cidades, a outros níveis.
Prefiro não ter um quartel de bombeiros na cidade a ter sem abrigo a dormir na rua.
Estou convicto, que daqui a duas décadas, com a capacidade empreendedora dos lagoenses, teremos uma cidade mais próspera, com maior qualidade de vida e que, certamente, será uma referência a nível regional e motivo de orgulho para todos os que cá vivem.

(…)

Neste novo ano, o que irá marcar a atuação da autarquia?
JP: Os desafios colocados ao poder local são cada vez maiores e mais exigentes o que nos obriga a repensar e a reavaliar quais as prioridades para o concelho a todo o momento.
Queremos dar força à Lagoa, criar centralidade no concelho e o nosso estatuto de cidade deverá apelar-nos a um novo patamar de desenvolvimento, Queremos virar, ainda mais a Lagoa para o mar.
Queremos que a Lagoa, que já é uma referência em termos culturais, ganhe ainda maior atratividade na ilha de São Miguel.
Todos os projetos que a autarquia tem em mãos, designadamente a ampliação do Porto dos Carneiros, a valorização da frente marítima do Rosário e Santa Cruz, a requalificação da rede de equipamentos das escolas do ensino básico, o Mercado Municipal e o desenvolvimento do Tecnoparque são exemplos de investimentos que permitirão a modernização do concelho, a fixação de mais pessoas e o seu desenvolvimento integral, sendo essas as novas apostas que o novo quadro de referência estratégica da União Europeia, 2014-2020 irá permitir concretizar num futuro próximo.
Mas, neste momento o maior desafio que temos pela frente é vencer as dificuldades das famílias e das empresas e também promover o crescimento do concelho, de forma a gerar emprego e desenvolver a economia local.

(…)

Que expetativas tem para 2015?
JP: Apesar de achar que o pior já passou, os próximos tempos serão ainda de dificuldades e como tal convidam-nos a um caminho que preserve a vertente social e que fomente a economia local.
A criação de emprego é o maior desafio dos governantes. Nem tudo os governantes podem fazer e nem tudo depende deles. Naturalmente é preciso um ambiente de confiança para os empresários investirem, é imperativo facilitar o acesso ao crédito e é necessário aumentar o consumo interno.
Aos governantes cabe a promoção de políticas que também possam contribuir para os aspetos que já referi. Neste domínio entendo que é preciso apostar em várias frentes: continuar a promover o investimento público, com especial enfoque na reabilitação urbana; apostar no turismo de forma consistente, tendo em vista trazer mais pessoas aos Açores; apostar nas produções regionais para reduzir as importações; acelerar o máximo possível a execução do novo quadro comunitário de apoio e continuar a apostar nos programas de empregabilidade ao abrigo do próximo quadro comunitário de apoio.
Se em cada nível de responsabilidade de governação trabalharmos neste sentido, não tenho dúvida que 2015 será um ano de retoma da economia e de criação de emprego sustentável.

DL

(Leia a entrevista completa na edição impressa de janeiro de 2015)

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