Opinião: Sou/Ser Açoriano

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A magnífica montanha do Pico serve-me hoje de inspiração, consequentemente apetece-me enaltecer a nossa terra e o que de melhor tem. Os Açores – nove ilhas plantadas à beira mar. Cada ilha tem as suas especificidades únicas e especiais que as fazem distinguir umas das outras. Tenho pelas ilhas um amor coletivo, indissociável e complementar.         Nove ilhas diferentes no tamanho, na história, na cultura, mas unidas e iguais na forma de ser das pessoas que nelas vivem, fazendo delas algo especial e superior.

Uma ilha sem a outra seria certamente diferente. Não teria o Faial sem o Pico a beleza que tem, que em São Jorge completa um triângulo singular e perfeito, com qualidades excecionais para uma forte aposta no turismo. Um dos nossos caminhos a percorrer, quanto a mim, é certamente apostar na divulgação e na projeção destas ilhas, dos seus costumes, das suas deslumbrantes paisagens, dos seus valores antigos, da sua cultura e tradição, sem esquecer nunca o seu presente cada vez mais próspero.

Seguramente sem as Flores podia o Corvo ser o que é. Como a Graciosa para a Terceira. Ou Santa Maria para São Miguel. A força destas ilhas está alicerçada na sua perfeita união. Cada ilha e cada concelho valem por si só e a nossa grandeza aumenta quando inserimos cada ilha de corpo inteiro num contexto regional enriquecido de diversidades.

As ilhas complementam-se e por isso fazem esta Região possuir uma beleza incomparável, muito nossa, de todos nós e de ninguém. Baseado neste orgulho de sermos todos donos das nove ilhas, importa agora preservar o que é nosso. Importa contribuir para que cada concelho, cada rua, cada jardim e cada flor constitua sempre um atrativo para quem nos visita. Evidenciar a nossa diferença e a nossa beleza é uma tarefa de toda a nossa gente.

Já nos basta sermos separados pelo mar para não o sermos pela terra também. Os bairrismos já não fazem sentido nos dias que correm, somos todos primeiramente e sempre açorianas e açorianos no nosso modo de ser, na nossa vivência coletiva, na nossa luta constante pelo progresso e bem-estar, baseado no trabalho, que desde cedo os nossos antepassados, conquistando o mar e terra venceram os novos desafios e as particularidades de viver em ilhas, de sermos ilhéu. É uma característica do açoriano e de um modo particular do picaroto. Sobre as gentes do Pico, o Pe. Coelho Sousa escreveu: “um povo herói; que é tal qual foi; de pedra e bago;   erguido num Maroiço; que além de mim se expande; E dentro de mim eu trago (…); Meu Deus, que não se cale a voz que eu oiço; neste coral de pedras em Maroiço” .

Casando com mar, as nossas vilas, cidades, lugares, freguesias e ilhas merecem, pela minha parte, um carinho especial e um sentimento de unidade regional que cultivo, como “cidadão do mundo nascido nos Açores”.

O que rodeia as nossas ilhas e nos separa, se repararmos é exatamente o mesmo mar que nos deve unir. Na minha ótica pessoal, o que conta é o sucesso conjunto. O sucesso do nosso arquipélago, da nossa ilha, do nosso concelho e da nossa freguesia.

Abaixo os conceitos antigos, abaixo os bairrismos, abaixo ideias obsoletas e fora de tempo que por aí andam. Acima as nossas nove ilhas dos Açores, acima a unidade regional, acima a união e a força de um povo açoriano espalhado pelas ilhas e também espalhado pelos quatro cantos do mundo.

Rómulo Ávila

Categorias: Opinião

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