A Assembleia Legislativa dos Açores aprovou, por unanimidade, dois votos de pesar pelo falecimento de José Pracana, em dezembro último.

Segundo recorda o voto de pesar apresentado por Susana Goulart Costa, deputada do Partido Socialista (PS), foi no contexto das revoluções da década de 1960 que José Pracana formalizou a sua paixão pela música. Em Lisboa, a capital do Fado onde vivia desde os 12 anos, a arte musical passou a ocupar um lugar de destaque na sua vida. Rapidamente, José Pracana – guitarrista amador de carreira, mas profissional no coração, – passou a ser respeitado pela qualidade da sua técnica e acompanhou grandes nomes da música portuguesa, como Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de Amorim, Orlando Duarte e Arminda Alverenaz, entre outros.

Além da sua qualidade como guitarrista, um dos principais méritos de José Pracana é o seu empenho na divulgação do Fado português, muito antes do reconhecimento deste como Património Imaterial da Humanidade. 

Na apresentação do voto, Susana Costa destacou o envolvimento de José Pracana na promoção do Fado não só em Portugal, como no estrangeiro , a sua consciência sobre a importância da televisão como instrumento de comunicação. Assim, ao longo de trinta anos, contribuiu para a projecção da importância dos guitarristas-fadistas em vários programas televisivos.

Contribuiu igualmente de forma relevante para salvaguardar a memória do Fado. Neste aspeto, de realçar a sua colaboração na coleção “Biografias do Fado (editadas entre 1994 e 1998) e o seu envolvimento no Museu do Fado, no qual realizou, em 2007,  um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa, prestando homenagem a Armando Augusto Freire, Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos.

A mais recente participação artística culminou com a sua atuação como guitarrista no “Japão / Expo AICHI 2005” e com a conquista do “Prémio Fado Amador” que lhe foi atribuído pela Fundação Amália Rodrigues, também em 2005.

Por outro lado, recorda um outro voto de pesar, apresentado pelo Partido Social Democrata, nos Açores, onde José Pracana se fixou, nos anos 80, a sua principal residência, participou em inúmeras iniciativas, em várias ilhas, e particularmente trazendo, sobretudo a Ponta Delgada, tanto intérpretes do fado como guitarristas e tocadores de viola de renome.

Foi agraciado com diversas distinções entre as quais se destaca a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique e também as concedidas, pela Soberana Ordem de Malta, pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Câmara Municipal de Ponta Delgada.

José Pracana deixa um legado que em muito projectou os Açores, ficando o seu nome gravado na memória colectiva entre os grandes da nossa terra no campo da cultura, recordou António Viveiros.

Os votos aprovados por unanimidade foram apresentados pelos lagoenses Susana Goulart Costa (PS) e António Viveiros (PSD).

DL

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