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Os 12 primeiros ranchos de Romeiros de São Miguel – Cabouco, Calhetas (Rabo de Peixe), Candelária, Milagres (Arrifes), Ribeira Quente, Ribeirinha, São Pedro (Ponta Delgada, São Roque (Ponta Delgada), Santa Bárbara (Ponta Delgada), Ribeira Funda, Santa Maria (Toronto) e Várzea- fazem-se à estrada no próximo sábado, para uma romaria quaresmal de 8 dias. Até ao fim da Quaresma sairão mais 38 ranchos.

Na bagagem para além de uma “verdadeira conversão espiritual” levam um pedido especial do Bispo de Angra: rezar por intenção do Santo Padre que no dia 13 de março completa um ano de pontificado.

Cada rancho deverá anotar o número de orações e com o somatório de todas elas, rezadas pelos 50 ranchos que durante a Quaresma percorrerão as estradas e caminhos de São Miguel, será elaborado uma “ramalhete espiritual” que será posteriormente enviado para o Papa Francisco, conforme noticiou o Portal da Diocese.

Além disso, D. António de Sousa Braga, pediu ainda aos Romeiros que rezem pelos “Bispos e Sacerdotes, para que sejam verdadeiros Pastores, que conduzem o rebanho, que lhes está confiado; pelos jovens e seminaristas, para que tenham a força de seguir o chamamento do Senhor; pelas famílias, para que o Senhor as ajude a vencerem as dificuldades do momento presente; pelos doentes e idosos; pelos que sentem sós e desamparados, para que, no Senhor, encontrem conforto e, em nós, apoio e ajuda; pelos defuntos e por todos os Romeiros, para que testemunhem, na vida, a fé cristã”.

Para o Prelado Diocesano, a prática do “romeiro autêntico” não se esgota, no entanto,  na duração da romaria e deve estar sempre presente ao longo de todo o ano, em todas as etapas da vida.

As romarias quaresmais são uma das realidades mais vivas da tradição da religiosidade popular açoriana. Começam no primeiro sábado da quaresma, prolongando-se até à sexta feira santa, e durante oito dias, grupos de homens percorrem a ilha de São Miguel, sempre a pé, do nascer ao por do sol, rezando em busca do perdão e da redenção.

Unidos pela fé, agarrados a um terço e a um bordão, percorrem no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, todos os “templos” de pedra dedicados ao culto mariano.

Os ranchos de romeiros, que agora também já existem na ilha Terceira e na Graciosa, bem como no Canadá e nos Estados Unidos, remontam a 1522 e 1563, data de grandes erupções vulcânicas e tremores de terra que destruíram Vila Franca do Campo e Ribeira Grande, respetivamente.

Os romeiros são verdadeiros peregrinos penitentes que através da caminhada procuram a conversão pessoal e espiritual.

Os ranchos são compostos apenas por homens e neles há três com funções particularmente definidas: o mestre, o procurador das almas e o guia.

O Mestre é a primeira de todas as figuras do Rancho. É ele que preside ao auto processional, dirige as orações, oferece e  suplica a Deus e à Virgem as inúmeras preces de que vem incumbido.  È, ele, de resto, que dita o ritmo de andamento do rancho, nomeadamente quando se para, se anda, se reza ou se descansa.

O Procurador das Almas ocupa o segundo lugar na hierarquia do rancho.  Pela estrada fora dirige as preces e pede a aplicação delas, recebendo durante o trajeto os pedidos de diferentes pessoas, para orações aplicadas a intenções muito diversas.

Finalmente, a terceira e última figura do Rancho é o Guia que vai à frente de toda a Romaria, porque conhece os caminhos, as veredas, as ribanceiras por onde todo o Rancho tem de passar, para ir pelos mais curtos atalhos até todas as Ermidas e Igrejas espalhadas por toda a Ilha de São Miguel, onde haja uma invocação à Virgem Maria.

A dimensão dos ranchos varia de paróquia para paróquia mas estima-se que nesta Quaresma entre 2000 a 2500 homens participem nas romarias.

DL/ Diocese dos Açores

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